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Crítica: My Name Is Now, Elza Soares (2015)

25 nov

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No último dia 14 de novembro estive presente no Festival Mimo, que desta vez aterrissou na Cidade Maravilhosa, e com isso tive a oportunidade de conferir o documentário My Name Is Now, Elza Soares, dirigido por Elizabeth Martins Campos.

O filme traz uma abordagem única e diferenciada de tudo o que já poderíamos ter visto desta diva do black-samba-soul brasileiro. Elza Soares está no centro dos holofotes, totalmente nua e desprovida de qualquer pudor ao falar sobre tudo o que passou em sua vida. O projeto põe Elza de frente para um espelho, falando para ele, mas ao mesmo tempo discursando e fazendo um desabafo literal, se desfazendo de todo e qualquer sentimento de culpa e hipocrisia que lhe impuseram ao longo de sua trajetória.

Elza Soares sempre foi conhecida por ser uma mulher de fibra, forte, guerreira, que passou por poucas e boas nessa vida, mas que nunca se deixou abalar por conta disso. O documentário aborda muito esse lado, a força desta grande cantora, que mesmo tendo sofrido preconceito por ser mulher, negra e pobre, nunca deixou de correr atrás de seus objetivos e hoje tem orgulho de ser quem é.

Com um plano totalmente fechado, iluminando somente o rosto de Elza, característica da videoarte, muito usado no cinema mineiro, a artista encara a realidade de forma bastante altiva, parafraseando a sabedoria de uma mulher que chegou aos 78 anos de idade, tendo a perfeita clareza do lugar que lhe foi garantido. No entanto, ao mesmo tempo que este espelho nos faz enxergar uma Elza determinada e segura de si, ele também nos mostra o lado sofrido da artista, que carrega consigo uma profunda tristeza, principalmente em relação a morte de seus três filhos. Ela confessa que quando seu primeiro filho se foi, devido a um acidente automobilístico que ocorreu no ano de 1986, um grande vazio e sentimento de impotência lhe pairou sobre a cabeça. Sua vida a partir de então nunca mais fora a mesma.

O documentário faz menções a grandes acontecimentos da vida da diva, como seu romance com o jogador Garrincha, seu envolvimento com as drogas depois da notícia da morte de seu filho, que resultou em um uso abusivo de cocaína e uma vontade louca de querer morrer. Em relação à música, vemos uma Elza mais madura, com uma voz menos potente e habilidosa em relação a seus tempos áureos, mas ainda sim característica. No vídeo, a cantora abusa da técnica do “scat singing”, uma prática que consiste no uso de palavras sem sentindo como meio de improviso, muito popular também com astros como Ella Fitzgerald e Louis Armstrong.

A verdade é que My Name Is Now, Elza Soares não é um documentário do tipo informativo, ele na verdade segue por um caminho mais reflexivo do que qualquer outra coisa, sem traçar uma linha narrativa cronológica, aliás uma coisa que me incomodou bastante, não o fato de não ter seguido uma ordem, mas a maneira como tudo foi trabalhado. As vezes sentia uma sensação de desconforto e de que aquilo nunca mais fosse acabar. O uso repetitivo de imagens aleatórias, que fizessem uma certa ligação com o tom obscuro e enigmático do filme poderia ter sido usado de uma maneira um pouco mais ponderada e mais agradável aos olhos do público. De fato quem não é muito fã desse tipo de pegada não consegue assistir até o final. Não foi à toa que muitas pessoas deixaram a sessão antes do término.

No mais, acredito que o filme de Elizabeth Campos tenha cumprido o seu papel. Trouxe uma Elza Soares bastante segura, sem medo de ter se tornado uma caricatura de si mesma, dizendo e fazendo coisas que certamente não seriam exibidas no horário nobre da TV da “família tradicional”. Esta é a Elza do “now”, pois como ela mesma diz:  “eu nasci agora, parece que estou começando agora, que é a minha primeira música”. Com certeza vale uma espiada.

Trailer:

*Crítica também postada no site Blah Cultural

Crítica: 82 Minutos (2015)

25 nov

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Com a proposta de desvendar o que existe por detrás da construção do Carnaval carioca, o “longa-documentário” de Nelson Hoineff (Alô, Alô Terezinha!) 82 Minutos (em referência ao tempo de desfile), dá vida a tudo aquilo que fica escondido atrás da magia da Marquês de Sapucaí. Falo do trabalho árduo, contínuo, empenhado para fazer com que aqueles minutos se tornem eternos na lembrança do público.

Para ilustrar uma linha narrativa que vai da escolha do samba-enredo até a apuração dos votos na contagem final, Hoineff decidiu pela escola de samba Portela. De acordo com o próprio, depois de realizar uma busca de campo para saber qual seria a escola adequada, passando por várias como Mocidade e Salgueiro, Nelson não teve dúvidas em saber qual seria a escolhida depois de visitar a escola de Madureira, na zona norte do Rio.

O filme acompanha o passo a passo de todo um trabalho voltado exclusivamente para o Carnaval. O que me chamou bastante a atenção foi a forma como o documentário foi traçando sua narrativa, que começa com a união de esforços e muita seriedade para fazer com que tudo aquilo aconteça da maneira correta, até o sentimento de união e de paixão pela escola nos momentos finais antes do desfile. O envolvimento emocional de todos os integrantes da Portela acontece aos poucos, passo a passo, criando uma sensação de expectativa entre os personagens e o público que está assistindo.

A edição do documentário para mim ficou uma coisa meio ambígua. Apesar de ela ter sido bastante objetiva em relação a fatos relevantes, passando por cenas em que era nítido o envolvimento daquelas pessoas com o trabalho em favor do Carnaval, também tivemos partes repetitivas demais, que pouco acrescentavam para o resultado final, mas estas foram realmente minoria. Eu só fiquei mesmo com a sensação de que o filme poderia ter durado um pouco menos, pois não tinha realmente necessidade daquelas duas horas e dez minutos.

Continuando a falar do olhar clínico do diretor, destaco a presença de figuras de bastante carisma no vídeo, como Nilce Fran, coordenadora das passistas da Portela, que indiscutivelmente roubou a cena com seu jeito despojado de ser. Além disso, tivemos também o casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Alex Marcelino e Danielle Nascimento, que transmitiram uma grande química e uma verdadeira paixão através da tela.

Uma coisa que me deixou curioso foi o próprio Nelson Hoineff ter dito que esse não era um filme sobre a Portela. Como não? Neste caso acho que houve um grande equívoco, pois a obra é única e exclusivamente sobre a escola, pois mesmo que você queira, não existe uma maneira de falar de Carnaval, tendo uma escola como pano de fundo, sem você criar um vínculo direto com a mesma. É impossível. A não ser que não exista qualquer tipo de apelo emocional e que a coisa esteja focada totalmente na parte técnica, pois se não for dessa maneira, não dá.

82 Minutos é de fato um excelente documentário, com uma ótima fotografia e algumas sequências bem interessantes, apesar de algumas câmeras tremidas. Ele realmente fala a linguagem do Carnaval Carioca, traduz a emoção e traz à tona todo o trabalho e seriedade deste espetáculo grandioso. Está muito bem recomendado.

*Crítica também postada no site Blah Cultural

Crítica: Argus Montenegro & A Instabilidade do Tempo Forte (2012)

22 maio

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Vencedor do Prêmio de Melhor Filme no 5º Arraial CineFest (2012), Melhor Documentário pelos júris de cidades como Belo Horizonte e Salvador, e pelo júri oficial no Festival Conexão Vivo Movida, Argus Montenegro & A Instabilidade do Tempo Forte é certamente a bela homenagem que o grande baterista brasileiro poderia ter tido.

A obra é uma realização da Okna Produções, que teve a brilhante ideia de falar um pouco da vida deste excelente músico, nascido em 4 de junho de 1936, na cidade de Porto Alegre, e falecido no mesmo local, em 15 de junho de 2008.

Argus Montenegro foi um dos grandes músicos que este país já conheceu. Seu primeiro contato com a bateria se deu no início dos anos 50, época em que a noite brasileira nem sonhava com este tipo de música pré-fabricada que temos hoje. Nada de djs ou qualquer playlist eletrônica. Naquele tempo, os músicos eram a grande diversão das noitadas tupiniquins.

Montenegro chegou a viajar o mundo para poder tocar sua música. Conheceu muitas culturas, dividiu o palco com grandes nomes como Dick Farney, Elis Regina, Sérgio Mendes e Tom Jobim. Seus gêneros favoritos eram o jazz e o samba, ou melhor, a combinação destes dois elementos que deram a cara para a bossa nova. Argus era brasileiro acima de tudo, e o documentário nos mostra essa intrínseca nacionalidade gritando através de seu corpo o tempo inteiro.

A sensibilidade do diretor e roteirista Pedro Isaias Lucas é a grande sacada deste documentário. Conseguimos enxergar o protagonista de forma limpa e sem filtros. Todos os seus sentimentos estão à flor da pele. Sua paixão pela música, seu jeito sistemático de ser, o patriotismo, o saudosismo de um tempo bem vivido, a inquietude de um músico completamente dedicado, entre outros elementos que estão presentes nesta belíssima obra.

O ponto de vista de Pedro Lucas também se torna bastante contundente a partir de sua narrativa despretensiosa. Através de uma câmera frontal, cheia de closes e vibrações, a trajetória de Argus Montenegro é contada pelo mesmo como se estivéssemos ali, sentados bem em frente a ele, participando de uma conversa informal sobre a vida.

Com toda a certeza o ápice desta obra é justamente a maneira com que Argus lidou com a música e o anonimato durante o período da velhice, e quando não conseguiu mais tocar como antigamente, devido a limitações do corpo e acidentes de percurso, que o paralisaram de forma brusca.

O filme também traz um pouco da vida familiar do baterista, com depoimentos bastantes sinceros de seu filho José Augusto (também baterista) e sua ex-companheira Pegui Montenegro, que abdicou de muitas coisas para ajudar seu amado a seguir a carreira que tanto sonhou.

Argus Montenegro & A Instabilidade do Tempo Forte é um documentário que não precisa dizer claramente tudo o que queremos saber. A beleza de sua poesia está nas nuances sobrepostas ao jeito de ser do protagonista. Mesmo o lado mais sombrio de Argus não deixou de ser abordado por uma questão de cordialidade, ao contrário, conseguimos enxergar um ser humano comum, cheios de falhas e defeitos, que acabou deixando muita coisa de lado, inclusive sua esposa e família, por causa de sua eterna paixão, a música.

Trailer:

*Crítica também postada no site Blah Cultural

News: Saiu o primeiro teaser trailer do documentário Amy

3 abr

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“eu não sou uma garota tentando ser uma estrela ou tentando ser qualquer coisa que não seja uma musicista”, é o que diz Amy Winehouse no teaser de seu documentário póstumo criado e dirigido por Asif Kapadia (Senna).

Amy é uma produção que abordará tudo o que aconteceu na vida desta cantora britânica falecida no dia 13 de julho de 2011. De acordo com o próprio Kapadia, o material trará “muitas imagens de arquivo nunca antes vistas e músicas inéditas” da artista.

Amy estreia dia 3 de julho no Reino Unido, porém não tem previsão por aqui ainda.

Teaser:

News: Cartaz de documentário baseado na vida da cantora Amy Winehouse é divulgado

19 mar

Parece que em breve teremos mais uma cinebiografia de um artista da música. Desta vez se trata da cantora Amy Winehouse, que faleceu em 2011 vítima de uma quantidade excessiva de álcool no sangue.

Winehouse irá ganhar um documentário realizado pelo britânico Asif Kapadia (Senna). O cineasta além de contar um pouco da vida da cantora, irá expor, de acordo com ele mesmo, “diversas imagens de arquivo inéditas e canções nunca ouvidas”.

O documentário se chama Amy e até já ganhou um cartaz de divulgação (abaixo). Quanto às estreias, ainda não temos datas divulgadas.

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News: Rio de Janeiro recebe a Mostra “África Hoje”

3 nov

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Atenção galera do Rio de Janeiro! A partir do dia 4 de novembro começa a Mostra África Hoje, que reúne uma série de filmes produzidos inteiramente no continente africano, uma coisa rara no Brasil. A mostra que faz uma homenagem a Nelson Mandela tem a coordenação de Mariana Marinho e a curadoria da cineasta Luciana Hees.

Os filmes serão exibidos no Instituto Moreira Salles, que se situa no bairro da Gávea, na cidade do Rio de Janeiro. Dentre os 16 documentários, longas-metragens e médias metragens exibidos ao longo do evento, temos produções como a biografia do músico de blues Kar-Kar retratada em Vou Cantar Para Ti, um pouco sobre as consequências do apartheid na África do Sul no documentário Jeppe numa Sexta e a vida do ex-presidente sul-africano retratada em produções como Contagem Regressiva e Mandela: Filho de África, Pai de uma Nação.

Programação:

Dia 04/11 – Terça-feira
20h – Vou Cantar para Ti (76’)

Dia 05/11 – Quarta-feira
20h – Kadafi, Nosso Melhor Inimigo (95’)

Dia 06/11 – Quinta-feira
20h – Luanda, a fábrica da música (56’)
21h – Eu fabrico meu balafon (52’)

Dia 07/11 – Sexta-feira
18h – Foi Melhor Amanhã (70’)
20h – Jeppe numa Sexta (87’)

Dia 08/11 – Sábado
16h – Mandela: Filho de África, Pai de uma Nação (120’)
18h – Debate
19h30 – Amílcar Cabral (60’)

Dia 09/11 – Domingo
16h – Soweto em Surf  (74’)
18h – Rumba do Rio (81’)
20h – Ady Gasy (82’)

Dia 11/11 – Terça-feira
18h – Prisioneiros da Esperança (60’)
20h – Contagem Regressiva (90’)

Dia 12/11 – Quarta-feira
18h – Capitão Thomas Sankara (90’)
20h – Camarões, Autopsia de uma Independência (52’)
21h – Fahrenheit 2010 (52’)

Mostra África Hoje vai até o dia 12 de novembro somente. Para maiores informações como valores de ingressos, horários, entre outras coisas entre na página do evento.

News: Emilio Estefan arrisca como diretor em Unbreakable Bond

22 fev
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O produtor e diretor Emilio Estefan

O consagrado produtor musical Emilio Estefan, conhecido por alavancar as carreiras de artistas como a de sua esposa Gloria Estefan, Shakira, Thalia, Mandy Moore, entre outros, acabada de adentrar o mundo cinematográfico com Unbreakable Bond, um filme sobre o ex-jogador de futebol americano Nick Buoniconti e seu filho Marc, que  sofreu um acidente que o deixou paralítico em 1985.

A obra que também possui um cunho documentarista, deve estrear mês que vem no Miami International Film Festival e irá narrar a vida de Marc Buoniconti, um famoso ex-jogador de futebol americano, que em 1985 sofreu uma lesão na medula espinhal que o deixou paralítico. O documentário segue a luta de Marc e seu  pai Nick, junto com o Projeto Miami, que visa a cura da paralisia, desde seu início, até os dias de hoje.

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Marc e Nick Buoniconti

“É uma honra e um privilégio poder compartilhar com o mundo essa história comovente sobre um vínculo incrivelmente único entre um pai e seu filho . Marc e Nick resolveram relembrar a tragédia, devido a sua história que dará esperança e inspiração para tantas pessoas e famílias que são afetadas pela paralisia a cada ano”, disse Estefan.

Nick, o fundador do Projeto Miami completou dizendo: “Temos a sorte de ter os Estefans como amigos por muitos anos, por isso trabalhar com eles em um vínculo inquebrável foi um sonho se tornando realidade. Eles trazem tamanho profissionalismo e classe em tudo o que fazem e têm nos ajudado a capturar a nossa história em filme, para que possamos levar a nossa mensagem ao mundo, de que a paralisia não tem de ser para sempre “

O Projeto Miami tem como principal fonte de renda o Fundo Buoniconti, criado em 1992, sendo uma organização sem fins lucrativos dedicada a ajudar o projeto.

Emilio Estefan está a frente de Unbreakable Bond como diretor e produtor, e ele ainda conta com várias participações como a do ganhador do Oscar Tommy Lee Jones, a dos jornalistas televisivos Tom Brokaw e Bob Costas, entre outros.

Trailer:

News: Robert De Niro realiza documentário sobre seu pai gay

19 fev

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O veterano ator Robert De Niro, conhecido por atuar em filmes dos mais diversos gêneros, desta vez, produziu o documentário Remembering the Artist Robert De Niro Sr., que traz à tona uma história desconhecida pelo grande público até então, a da homossexualidade de seu pai, um grande artista de obras abstratas, que veio a falecer de câncer de próstata em 1993, aos 71 anos de idade.

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A obra estreou recentemente no Festival de Sundance e, inclusive, De Niro levou algumas obras de seu pai para comporem a mostra na Julie Nestor Gallery, em Park City. O documentário apresenta um pouco da vida pessoal do pai do astro, além de contar que o mesmo se divorciou de sua mulher assim que assumiu publicamente ser gay.

Inicialmente a obra seria apenas veiculada para amigos íntimos, família etc. Entretanto, outros componentes do documentário convenceram De Niro a apresentá-lo ao mundo. “Além da incrível vida do pintor, há também um contexto histórico que cercou uma geração de artistas”, disse a diretora Perri Peltz, que trabalhou em conjunto com a também diretora Geeta Gandbhir.

Remembering the Artist Robert De Niro Sr. terá sua  exibição pela HBO no mês de junho desse ano, nos Estados Unidos.

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