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Crítica: A Garota Dinamarquesa (2016)

30 jan

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Depois do sucesso no filme A Teoria de Tudo (2014), onde venceu o Oscar na categoria de melhor ator por interpretar o físico Stephen Hawking, eis que Eddie Redmayne retorna aos cinemas mais uma vez para dar vida a outro personagem da vida real, o pintor dinamarquês Einar Wegener.

Estou falando de A Garota Dinamarquesa, uma adaptação cinematográfica da obra do escritor David Ebershoff, intitulada “The Danish Girl”, título original. A trama gira em torno da vida de Einar, um pintor de renome da Dinamarca, casado, mas que em um certo momento da vida descobre uma outra identidade dentro de si. Na verdade, se trata de uma verdadeira identidade de gênero que vinha sendo abafada há muito tempo. A trama revela os segredos mais profundos desse casamento tão incomum. De um lado uma mulher no corpo de um homem totalmente incompreendida, do outro uma esposa incondicional.

A obra de Ebershoff é de fato uma história trágica, mas ao mesmo tempo fascinante. Ela traz à tona um assunto bastante atual e que anda sendo bem discutido mundo afora, a transexualidade. Uma pessoa transexual para quem não sabe, é alguém que possui uma identidade de gênero diferente da que lhe foi designada em seu nascimento. No caso de Wegener, uma mulher dentro do corpo de um homem.

Se a obra literária é interessante e bastante completa, o mesmo não se pode dizer da adaptação. O texto de Lucinda Coxon, apesar de ser bom, não consegue alcançar a completude deste belo trabalho. Senti o início e o momento em que o personagem de Redmayne descobre a face de Lili um pouco aquém do que deveria ter sido. Coxon e o diretor Tom Hooper pecam por não abordarem com afinco a infância e momentos relevantes do passado da protagonista. Somente ficamos sabendo que Wegener começou sentir as diferenças em seu corpo desde criança, a partir de diálogos pouco elaborados. A transição da identidade de Einar para Lili também sofre com a falta de cenas mais profundas e explicativas. Um trabalho mais intenso nesse quesito seria de fato a cereja do bolo para que o filme se tornasse completo. Uma pena ter faltado.

Quanto à atuação de Redmayne, ela sofre altos e baixos no decorrer do longa. O ator começa bem, de forma concisa e expressiva, mas nos momentos em que todo o drama da transformação acontece, parece que ele se deixa levar em demasia e sua atuação acaba transparecendo forçada por demais. Eddie não consegue passar o misto de estranheza e naturalidade que seu personagem pedia nesse momento, e acaba se confundindo no meio do caminho. No entanto, nas cenas onde se fazia necessário uma carga dramática mais intensa, ele consegue se sair muito bem e atinge o nível de atuação que lhe fora exigido.

Alicia Vikander, que interpreta a também pintora e esposa de Eddie no filme, surge impecável do início ao fim. A atriz que apareceu recentemente em O Agente da U.N.C.L.E (2015) rouba a cena e nos mostra uma atuação intensa e totalmente apaixonante. Sua Gerda Wegner nos arrebata de uma maneira única e totalmente fulgaz. Para mim foi uma surpresa bastante agradável, admito. Já outros atores como Ben Whishaw, Amber Heard e Matthias Schoenaerts aparecem sem grande destaque.

A Garota Dinamarquesa apresenta pouca variedade de locações, suas cenas se passam quase que basicamente entre quatro paredes e em ambientes de pouca luz. Talvez por isso a fotografia não tenha sido seu ponto forte. Já os figurinos conseguem retratar um pouco do glamour e a decadência de uma Europa da década de 1920.

A película é de fato muito bem feita, mas creio que tenham faltado alguns detalhes preciosos e de grande importância. Talvez seja por isso que ela não tenha sido indicada na categoria de melhor filme. Todavia, A Garota Dinamarquesa é um trabalho que merece ser visto, nem que seja por uma questão de reflexão e para conferir o ótimo trabalho de Alicia Vikander. Super recomendado!

Trailer:

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