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Crítica: Speed Dating (2007)

25 abr

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Faz algum tempo que não escrevo nada pro Foca, mas hoje resolvi assistir a alguns curtas LGBTs, e um em específico me chamou bastante a atenção. Daí resolvi expor minhas ideias aqui pra vocês, principalmente por se tratar de uma produção alemã, pouco conhecida e sem muitas informações na web.

Speed Dating é um curta-metragem de 30 minutos do diretor Gregor Buchkremer, que foge à linha tradicional de como se conta uma história de amor, apelando essencialmente para uma linguagem totalmente poética, com a intenção de retratar o homem e as suas necessidades afetivas através de uma atmosfera de sobrevivência.

Para quem não sabe, a expressão “Speed Dating” (Encontro Rápido) surgiu no ano de 1998 nos Estados Unidos. Ela foi criada pelo Rabino Yaacov Deyo e sua esposa, Sue, com a intenção de ajudar os jovens judeus a encontrar o amor. Anos mais tarde, a prática deixou de ser exclusiva do povo judeu e passou a fazer parte de várias outras culturas em países como China, Austrália e também por toda a Europa.

O filme de Buchkremer, lançado em 2007, aborda justamente essa maneira rápida e desesperada de se encontrar o amor, através dos “Shiduch”, ou encontros para ser mais claro, onde empresas qualificadas para tal possuem o trabalho de achar o par ideal para você. Toda essa introdução seria simples se não fosse um único detalhe: que acontece em Speed Dating é que as pessoas que não encontram seus pares a tempo, ou as que são trocadas por outras pessoas, ou até mesmo as que perdem os seus amores, simplesmente morrem de uma doença misteriosa. A partir dessa premissa é que a trama nos traz para a vida de Tim (Kristian Kiehling), um jovem que acaba de ser deixado por sua namorada, e com isso, ele precisa arranjar um novo amor antes que a morte bata à sua porta.

A grande sacada do longa é que ele basicamente não se leva a sério. E o que favorece bastante a narrativa, além de sua ótima trilha sonora, é claro, são as inserções do bom e velho humor europeu, só que desta vez de uma maneira bem mais escrachada. O fato é que essa trama não poderia ser mais atual do que já é, e mesmo tendo sido lançada há quase 10 anos atrás, ainda contribui muito para o que acontecem nos apps de relacionamentos, seja gay ou hétero. A busca incessante por uma outra pessoa meio que se torna algo vital para muita gente, e as que não encontram o seu par perfeito, muitas vezes se sentem rejeitadas, principalmente se você for mulher em meio ao mundo machista e ainda conservador em que vivemos.

As atuações também são bem convincentes. O ator Kristian Kiehling se sobressai com uma interpretação ímpar do início ao fim do curta. Kiehling transparece todo o ar de melancolia e ao mesmo tempo de frustração de seu personagem. Já Max Engelke e a funcionária da empresa de “Match”, que eu não encontrei o nome, são outros que aparecem também muito bem suas devidas cenas.

Outro ponto interessante da obra é que apesar de ser vendida por aí como um curta de temática gay, ela não foca essencialmente nisso, mas aborda o tema a partir de um roteiro criativo. O final também aparece como outro ponto forte, apesar de não ser o que muita gente esperava, acredito que tenha um pouco do que entendemos como “amor incondicional”, desejando a felicidade do outro independente de qualquer coisa. Vale muito a pena!

 

 

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Crítica: A Bruxa (2016)

29 fev

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A Bruxa é sem dúvidas um dos filmes de terror mais elogiados dos últimos tempos, coisa rara, já que nem sempre o gênero é visto com bons olhos por grande parte do público. No entanto, o longa do diretor Robert Eggers, acostumado a dirigir curtas-metragens, transforma o que poderia ser um simples blockbuster, em algo verdadeiramente interessante.

The Witch”, título original, traz à tona conceitos bem peculiares e perturbadores, como a relação da religião com o uso de artifícios geralmente utilizados para trazer a ordem, a partir de um medo generalizado. E não podemos negar que todas essas coisas sobre o céu e o inferno são histórias realmente assustadoras, e é bem por aí que o filme se estabelece.

A trama se passa na década de 1630. O casal William (Ralph Ineson) e Katherine (Kate Dickie) tentam levar uma vida modesta em meio a uma casa de campo totalmente afastada da cidade grande. De devoção cristã, ambos vivem suas vidas a partir de ensinamentos religiosos, e isso também vale para seus 5 filhos, a pré-adolescente Thomasin (Anya Taylor-Joy) e os menores Caleb (Harvey Scrimshaw), Mercy (Ellie Grainger) e Jonas (Lucas Dawson), além do recém-nascido Samuel. Quando de repente Samuel desaparece enquanto estava aos cuidados de sua irmã Thomasin, um clima de caos e tensão se estabelece sobre a família, que começa a suspeitar da presença do mal em sua casa, o que poderia também ter relação com a seca de sua colheita, a partir de uma maldição proferida.

A película possui um roteiro não muito original, admito, mas é trabalhado de uma maneira bem eficiente pelo diretor Robert Eggers. Todo o filme é ambientado dentro de um cenário completamente cinzento e obscuro, o que nos traz uma sensação de terror a todo instante. Já a trilha sonora, que aliás para mim foi o ponto alto da obra, juntamente com a fotografia, aparece como um instrumento valioso nas cenas de suspense. Neste quesito consegui identificar ali muito do que rolou nos filmes de terror das décadas de 70 e 80, com músicas intensas a cada cena mais sinistra, a exemplo de Sexta-Feira 13 (1980), Halloween (1978) e O Exorcista (1973).  Já a fotografia chega a ser fascinante, com planos abertos trazendo toda a plenitude da beleza de um cenário bucólico, inspirado em um sistema feudalista, já que os protagonistas eram imigrantes.

Como relatei anteriormente, a trama faz uma ligação com o misticismo cristão, no que diz respeito à existência do bem e o mal. O bem que é ligado a tudo o que possui relação com Deus e a Bíblia, e o mal personificado na presença do diabo e a bruxa, a qual o filme faz alusão. É interessante ver a relação que os personagens possuem com a sua fé, sempre se punindo por conta de desejos e prazeres que identificam como sendo de natureza maligna, ou simplesmente o fato de apenas existirem, o que já seria suficiente para serem condenados ao inferno pelo resto de suas vidas. Essa relação mais psicológica é o que nos faz entender o filme não como mais um “cult do terror”, mas como algo de fato legítimo e bem introduzido para a reflexão de nossa sociedade.

Quanto às atuações, não tenho como dar crédito a apenas uma única pessoa, pois todos foram verdadeiramente magníficos do início ao fim, principalmente as crianças. A atriz esteve completamente entregue à sua Thomasin, já Harvey Scrimshaw me surpreendeu com a qualidade de sua atuação apesar da pouca idade. E Ralph Ineson e Kate Dickie se mostraram tecnicamente perfeitos.

A Bruxa é de fato um filme muito interessante e que certamente irá assustar muita gente, mas não se engane achando que você terá grandes sustos, daquelas de pular da cadeira. Este filme traz um terror muito mais psicológico do que qualquer outra coisa. A tensão do mesmo é construída gradativamente, acompanhada de uma trilha musical muito bem escolhida por sinal. A única que coisa que realmente acho é que o final poderia ter sido muito mais interessante e perturbador, pois o filme tinha potencial para tal. Acho que Eggers marcou bobeira em não aproveitar a essência de seu elenco e a qualidade de sua produção. No mais, vale muito uma conferida.

Trailer:

*Crítica também publicada no site Blah Cultural

Crítica: Deadpool (2016)

11 fev

 

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Recentemente apareceu a oportunidade de conferir o primeiro filme solo do personagem mais irreverente do Universo Marvel, o mercenário Deadpool.

Deadpool na verdade se mostrou pela primeira vez no ano de 1991 como sendo um vilão em “New Mutants”. Sua personalidade é totalmente diferente da de outros heróis como Capitão América, Thor ou qualquer um dos X-Men. Wade Wilson (Ryan Reynolds), seu nome real, é um perfeito anti-herói, que chegou a sofrer grandes traumas em sua vida como a morte prematura de sua mãe, o alcoolismo do pai, entre outras coisas que o ajudaram a entrar para o mundo do crime.

Além de tudo isso, Deadpool também se destaca por seu comportamento fora do normal, cheio de piadas prontas e quase nenhuma consciência moral. E há quem diga que ele corre pelo lado da pansexualidade, já tendo flertado inclusive com o Homem-Aranha.

O roteiro adaptado por Rhett Reese e Paul Wernick é bastante sucinto no quesito “trama central”. Os cineastas preferiram fazer um mix de coisas que já rolaram com Deadpool nos quadrinhos, a ter de narrar mais um “era uma vez” como geralmente acontece com os títulos da Marvel. Para falar a verdade, isso só torna as coisas mais interessantes para o espectador, pois o filme passa a ficar mais dinâmico, como assim foi.

Com uma narrativa atemporal, o longa acontece quando Wade já está familiarizado com o seu alter-ego em meio à uma missão pessoal. Durante todo o filme, passado e presente são intercalados de uma maneira bastante ligeira, mas ao mesmo tempo totalmente compreensível. A trama se volta para a vingança de Deadpool contra Ajax (T.J. Miller), que na história é quem o transforma no mutante imortal com a promessa de curá-lo de um câncer terminal. O tratamento dá certo, porém o deixa completamente desfigurado e isso o transtorna profundamente, já que o mesmo sente receio de ser rejeitado por sua namorada Vanessa (Morena Baccarin).

Para quem é fã dos quadrinhos e até aqueles que acompanham com certo afinco o Universo Marvel, a trama talvez desaponte um pouco, visto que muitas coisas são embaralhadas para que exista um certo encaixe dentro da 1 hora e 46 minutos que o filme possui. Para quem não sabe, a sinopse da película é baseada no capítulo chamado de “Arma X” nas HQs, um programa de desenvolvimento super-humano administrado pelos governos do Canadá e Estados Unidos, e que também teve como cobaia o mutante Wolverine. Todavia, a luta final contra Ajax, seu relacionamento com a Cega Al, assim como a aparição de Colossus e Negasonic, surgem e se relacionam como se tudo fosse de fato originário de um mesmo período, o que na verdade não é. Mas como a produção não foi feita apenas para os geeks, acho que o resultado final ficou interessante.

Ryan Reynolds depois de ter trocado a DC pela Marvel definitivamente, conseguiu se sair bem como o anti-herói incompreendido. Com seu lado sarcástico e ligeiramente cômico, seu Deadpool conquistou o público, visto que durante a exibição a plateia não parava de rir. Outro ponto alto da obra sem sombra de dúvidas foram as piadas repletas de referências da cultura pop. Uma delas inclusive teve relação com o seu trabalho em Lanterna Verde (2011), fazendo uma analogia com fracasso do filme de Martin Campbell. Devo admitir que algumas piadas não chegaram a funcionar para mim, mas penso que isso seja um tanto quanto subjetivo da minha parte, ou não?

Além do que já foi citado, o longa do herói apresenta algumas cenas de ação bem feitas e intercaladas com o bom humor da trama no estilo “Kick-Ass”. Outros atores como Morena Baccarin, T.J. Miller e Ed Skrein (Weasel) aparecem sem tanto destaque. Já a trilha sonora chega como algo incomum a filmes de ação, porém não para este em específico.

A conclusão a que se pode chegar é que Deadpool é um bom filme, sem sombra de dúvidas, bem superior a outros produzidos pela Marvel, mas não chega a ousar e tenta se adequar ao clichê mundo dos blockbusters. Acredito que o protagonista tem sim bastante potencial e carisma, porém tudo precisa ser levado a sério, principalmente o lado mentalmente instável que ele possui. No mais, a obra garante uma excelente diversão e acredito que vá conquistar o público.

Trailer:

*Crítica também publicada no site Blah Cultural

Crítica: Hidden (2015)

31 jan

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Hidden é mais um daqueles casos de filmes de pouca popularidade, mas que nos surpreendem da melhor maneira. Estava eu aqui em casa em mais um sábado à noite, sozinho, então resolvi apostar num cineminha para me divertir. Alguns gostam de séries e não saem da Netflix, já eu não perco a oportunidade de assistir a alguma produção cinematográfica.

Com um orçamento modesto e um elenco bem afiado, Hidden, ainda sem título em português, entra na mesma categoria de outros longas do gênero lançados em 2015, como Apocalipse (Extinction) e The Hallow. A produção da dupla The Duffer Brothers (Matt Duffer e Ross Duffer) faz a sua aposta em cima de um roteiro voltado para uma trama mais intimista, porém de grande efeito.

O longa acompanha o drama vivido pelo pai de família Ray (Alexander Skarsgard), sua esposa Claire (Andrea Riseborough) e sua filha Zoe (Emily Alyn Lind), que tentam sobreviver dentro de um abrigo, após a cidade onde moravam ter sido atacada por seres misteriosos. Esses seres chamados de “Os Respiradores”, aparentemente dizimaram toda a humanidade, deixando um rastro de caos e destruição.

A película apresenta um clima totalmente pós-apocalíptico, tudo que já estamos acostumados a ver em filmes de zumbis e outros do gênero. No entanto, o seu grande efeito segue a partir de uma direção completamente precisa, que nos leva a interagir de fato com todo o elenco. Os irmãos Duffer constroem uma relação de expectativa com direito a bastante suspense através de diálogos bem encaixados em um ambiente totalmente claustrofóbico.

O que a princípio poderia indicar uma sensação de cansaço devido a trama se passar quase que inteiramente dentro de um único ambiente, é superada pelas excelentes atuações de Skarsgard (o eterno Eric Northman de ‘True Blood’), Andrea Riserborough (Oblivion) e a pequena Emily Alyn Lind (Evocando Espíritos 2). Esta última então chega a roubar a cena em vários momentos. Confesso que fiquei com uma certa raiva da personagem dela durante o filme (oh garotinha inconveniente..rsrs).

O roteiro passa longe de ser inovador, de fato, mas ele consegue trazer bons ganchos e ligá-los para a construção de uma trama bem uniforme. Ele não nos apresenta qualquer brecha para o que viria acontecer posteriormente, sua condução é dada aos poucos, passo a passo. Já o final surge para cumprir e muito bem a missão do longa, nos apresentando uma certa mensagem de conceito moral em meio a grandes revelações. Hidden termina de forma concisa e com a sensação de dever cumprido. Excelente dica.

Trailer:

Crítica: A Garota Dinamarquesa (2016)

30 jan

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Depois do sucesso no filme A Teoria de Tudo (2014), onde venceu o Oscar na categoria de melhor ator por interpretar o físico Stephen Hawking, eis que Eddie Redmayne retorna aos cinemas mais uma vez para dar vida a outro personagem da vida real, o pintor dinamarquês Einar Wegener.

Estou falando de A Garota Dinamarquesa, uma adaptação cinematográfica da obra do escritor David Ebershoff, intitulada “The Danish Girl”, título original. A trama gira em torno da vida de Einar, um pintor de renome da Dinamarca, casado, mas que em um certo momento da vida descobre uma outra identidade dentro de si. Na verdade, se trata de uma verdadeira identidade de gênero que vinha sendo abafada há muito tempo. A trama revela os segredos mais profundos desse casamento tão incomum. De um lado uma mulher no corpo de um homem totalmente incompreendida, do outro uma esposa incondicional.

A obra de Ebershoff é de fato uma história trágica, mas ao mesmo tempo fascinante. Ela traz à tona um assunto bastante atual e que anda sendo bem discutido mundo afora, a transexualidade. Uma pessoa transexual para quem não sabe, é alguém que possui uma identidade de gênero diferente da que lhe foi designada em seu nascimento. No caso de Wegener, uma mulher dentro do corpo de um homem.

Se a obra literária é interessante e bastante completa, o mesmo não se pode dizer da adaptação. O texto de Lucinda Coxon, apesar de ser bom, não consegue alcançar a completude deste belo trabalho. Senti o início e o momento em que o personagem de Redmayne descobre a face de Lili um pouco aquém do que deveria ter sido. Coxon e o diretor Tom Hooper pecam por não abordarem com afinco a infância e momentos relevantes do passado da protagonista. Somente ficamos sabendo que Wegener começou sentir as diferenças em seu corpo desde criança, a partir de diálogos pouco elaborados. A transição da identidade de Einar para Lili também sofre com a falta de cenas mais profundas e explicativas. Um trabalho mais intenso nesse quesito seria de fato a cereja do bolo para que o filme se tornasse completo. Uma pena ter faltado.

Quanto à atuação de Redmayne, ela sofre altos e baixos no decorrer do longa. O ator começa bem, de forma concisa e expressiva, mas nos momentos em que todo o drama da transformação acontece, parece que ele se deixa levar em demasia e sua atuação acaba transparecendo forçada por demais. Eddie não consegue passar o misto de estranheza e naturalidade que seu personagem pedia nesse momento, e acaba se confundindo no meio do caminho. No entanto, nas cenas onde se fazia necessário uma carga dramática mais intensa, ele consegue se sair muito bem e atinge o nível de atuação que lhe fora exigido.

Alicia Vikander, que interpreta a também pintora e esposa de Eddie no filme, surge impecável do início ao fim. A atriz que apareceu recentemente em O Agente da U.N.C.L.E (2015) rouba a cena e nos mostra uma atuação intensa e totalmente apaixonante. Sua Gerda Wegner nos arrebata de uma maneira única e totalmente fulgaz. Para mim foi uma surpresa bastante agradável, admito. Já outros atores como Ben Whishaw, Amber Heard e Matthias Schoenaerts aparecem sem grande destaque.

A Garota Dinamarquesa apresenta pouca variedade de locações, suas cenas se passam quase que basicamente entre quatro paredes e em ambientes de pouca luz. Talvez por isso a fotografia não tenha sido seu ponto forte. Já os figurinos conseguem retratar um pouco do glamour e a decadência de uma Europa da década de 1920.

A película é de fato muito bem feita, mas creio que tenham faltado alguns detalhes preciosos e de grande importância. Talvez seja por isso que ela não tenha sido indicada na categoria de melhor filme. Todavia, A Garota Dinamarquesa é um trabalho que merece ser visto, nem que seja por uma questão de reflexão e para conferir o ótimo trabalho de Alicia Vikander. Super recomendado!

Trailer:

Crítica: A 5ª Onda (2016)

18 jan

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Entrando para o time das adaptações literárias, A 5ª Onda, filme do diretor J Blakeson (The Disappearance of Alice Creed) chega como uma tradução cinematográfica do best-seller de mesmo nome escrito por Rick Yancey. Já adiantando para vocês, novamente estamos falando de uma trilogia de suspense e ficção científica, assim como Jogos Vorazes e Maze Runner. O segundo livro já foi publicado em 2014 com o título de “The Infinite Sea” e o terceiro sairá ainda esse ano, o “The Last Star”.

A proposta de The 5th Wave (título original) é bastante clara, a de envolver jovens e adolescentes em mais uma trama de romance pós-apocalíptico, já que ficamos órfãos das histórias de Suzanne Collins, além de estarmos vendo Maze Runner e Divergente se encaminhando para sua reta final.

Na trama, o planeta Terra começa a sofrer constantes ataques de uma nave alienígena, que os inicia por etapas, essas etapas são chamadas de “ondas”. A primeira utiliza um pulso eletromagnético para aniquilar toda a eletricidade do planeta. Na segunda, um tsunami gigantesco dizima 40% da população. Já na terceira onda, os pássaros passam a transmitir um tipo de vírus que mata 97% da humanidade, e os que resistiram aos ataques anteriores, começam a ter de lidar com os próprios extraterrestres no meio da população, já que eles adquiriram a capacidade de se hospedar no corpo de qualquer um. Essa foi chamada de a 4ª onda. No meio de todo esse alvoroço acompanhamos a vida de Cassie Sullivan (Chloe Grace Moretz), que junto de seus pais e seu irmão, o pequeno Sam (Zackary Arthur), precisam aprender a lidar com toda aquela situação.

Como falei anteriormente, a proposta de Yancey é trazer à tona mais uma história nos moldes do que já temos visto por aí. No entanto, pelo menos nessa primeira parte, acredito que tudo ficou muito superficial e nada, praticamente nada se aprofunda de forma intensiva para que possamos ter um mínimo de real interesse na trama. A começar pela própria relação entre a personagem de Moretz e o galã Alex Roe. Os dois se relacionam de uma forma muito, mas muito fulgaz, a química entre eles definitivamente não funcionou como o esperado. Além disso, temos de nos deparar com uma série de diálogos pobres e forçados, além de uma certa necessidade do diretor Blankeson de nos impor certos sentimentos e uma consciência moral totalmente desequilibrada. Algumas frases ditas pelos personagens chagavam a soar totalmente ridículas de tão triviais que eram.

Quanto às atuações, Chloe também não esteve em seu melhor momento. A atriz em algumas cenas parecia qualquer uma daquelas atrizes de novela mexicana de tão forçada que estava. Eram tantas caras e bocas sem sentimento algum que você não sabia se ela estava sentindo dor ou chorando pela situação catastrófica em que se encontrava. Alex Roe já esteve um pouco melhor, porém seu personagem não pedia tanto nesse primeiro instante. E quase todo o elenco adolescente da película pareciam recrutas de qualquer seriado Disney. Definitivamente muito inferior a seus concorrentes já citados.

A 5ª Onda possui uma boa fotografia, além de efeitos especiais bem trabalhados. Fora alguns outros furos de roteiro e a forçação de barra em alguns momentos, acredito que a obra ainda pode melhorar em sua segunda parte. Se não tivemos um bom começo, que ao menos tenhamos um final à altura, mesmo que a história não ajude muito.

Trailer:

*Crítica também postada no site Cabana do Leitor

Crítica: Canibais (2013)

28 dez

 

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Canibais faz parte de mais um daqueles casos de filmes completamente abandonados por suas distribuidoras. Só para você ter uma ideia, ele foi lançado ainda em 2013 em alguns festivais de cinema pelo mundo, inclusive aqui no Brasil, onde teve sua exibição fechada no Festival do Rio. Todavia, sua popularidade cresceu tanto, que a Paris Filmes resolveu agendar uma estreia a nível nacional, só que não.

The Green Inferno, título original, caiu no limbo do esquecimento e nunca mais ouviu-se falar sobre uma data de estreia do longa no Brasil. Primeiramente ela seria para setembro de 2014, depois passaram para setembro do ano seguinte e ao que parece a Paris Filmes desistiu mesmo do longa por aqui. Um caso recente e parecido aconteceu com Krampus: O Terror do Natal, que estreou no início de dezembro nos EUA, rendendo até uma boa bilheteria por lá, porém sua estreia que estava marcada para o dia 10 do mesmo mês aqui no Brasil, foi alterada sem previsão pela Universal Pictures Brasil. E tudo isso foi feito em cima da hora e sem qualquer consideração com os fãs (tá vacilando, hein Universal!). Toda essa falta de interesse só prejudicou os fãs dos filmes de terror, que ansiavam pela estreia de Canibais nos cinemas.

Falando um pouco sobre o filme, ele é dirigido por Eli Roth, o nome por trás do sucesso O Albergue (2005). Desde The Hostel, Eli não havia mais conseguido um grande sucesso e as continuações da franquia de terror já não geravam tanto impacto. Canibais veio para tirar todo esse atraso e posso dizer que o longa é de fato muito bem pensado e produzido.

Considerado uma reimaginação do clássico Cannibal Holocaust (1979), The Green Inferno traz uma excelente reflexão sobre direitos humanos e sua relação com o certo ou errado. Na trama, um grupo de estudantes ativistas viajam de Nova York até a Amazônia Peruana com a missão de salvar uma tribo ameaçada por empresas, que desejam tomar o lugar onde vivem. No entanto, o avião deles acaba sofrendo um grave acidente e cai em meio à mata selvagem. Os sobreviventes então são descobertos pela tribo que estavam tentando salvar. O que eles não podiam contar é que acabariam se tornando o jantar de seus ex-protegidos.

Tenho que concordar que a trama de Roth e Guillermo Amoedo foi de fato muito bem construída do início até o final. Já no começo do filme vemos jovens inseridos dentro de um hostil mundo acadêmico, um lugar ideal para entender um pouco mais da identidade de cada personagem. Justine (Lorenza Izzo) aparece como uma jovem curiosa e indignada com certas práticas realizadas pelo mundo. Após se encantar pelo líder ambientalista Alejandro (Ariel Levy), decide tentar entender um pouco mais sobre os movimentos sociais em seu campo estudantil e aceita um convite para uma reunião. A partir desse momento já identificamos elementos como um romance juvenil, inveja, ciúmes, bullying social, entre outros. Até me lembrou um pouco a série televisiva Glee, só que sem a cantoria, é claro.

Após um início devidamente estabelecido, a trama vai caminhando para um clima um pouco mais realista, seguindo o estilo de outros trabalhos de Eli Roth. O suspense vai aumentando e atrelado à excelente trilha sonora, se intensifica cada vez mais. Aos poucos a personalidade de cada personagem começa a aflorar e vemos uma situação de cada um por si. Os jovens atores escolhidos para o papel fazem um ótimo trabalho e conseguem ultrapassar a barreira do clichê de filmes do gênero, apesar de termos personagens bem característicos ali. No entanto todo conseguiram ser bem realistas de uma forma geral.

Já a grande sacada do filme fica mesmo por conta de sua excelente fotografia e caracterização. A Mata Atlântica chega a saltar os olhos durante algumas cenas aéreas e as pinturas e adereços dos corpos dos nativos eram tão bem feitos, que pareciam ser de fato reais. Os efeitos especiais também não ficaram para trás e por conta disso tivemos algumas cenas bem macabras e sanguinárias, daquelas de fechar os olhinhos (hehehe).

Canibais também passa por uma discussão que inclui assuntos como interesses políticos e consciência humanitária. Temas como desmatamento, corrupção, além de práticas polêmicas como a mutilação genital feminina são alguns dos assuntos abordados. E o interessante é ver que Roth em momento algum toma partido de qualquer assunto apresentado, isso ele deixa unicamente para o expectador. Esse vale uma boa espiada com toda a certeza!

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Crítica: Pânico Virtual (2011)

26 dez

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Nada melhor do que passar o dia de Natal fazendo o que realmente a gente gosta, não é? Pensando nisso eu resolvi assistir a alguns filmezinhos de terror. Na verdade, de ontem pra hoje fiz quase que uma maratona mesmo. Estava atrasado com alguns títulos e resolvi pôr em dia. No entanto, no meio disso tudo, descobri um que realmente se mostrou bem interessante e resolvi compartilhar aqui com vocês.

O filme se chama Pânico Virtual (Panic Button), ele foi lançado no ano de 2011. É um longa britânico que chegou até a receber algumas boas críticas na época. No entanto, nunca chegou aos meus ouvidos, ou se chegou, devo ter confundido ele com outros filmes do gênero que tiveram essa mesma tradução para o português. Enfim.

Na história quatro jovens ganham a viagem de suas vidas para Nova York, que recebem de cortesia do site de sua rede social favorita, a “All2gethr.com”. Todos a bordo do jato particular são totalmente desconhecidos um para o outro. No entanto, para poderem fazer parte da coisa, eles são convidados a abrir mão de seus telefones celulares e participarem de um voo de entretenimento, envolvendo uma nova experiência de jogo online. O que eles não sabem é que este não se trata de um jogo comum, e presos a 30 mil pés de altitude, todos são obrigados a participar de uma “brincadeira” que poderá terminar definitivamente com suas vidas.

A trama do diretor e roteirista Chris Crow (Devil’s Bridge) é de fato bem interessante, pois traz à tona toda essa necessidade de “vida pública” e tudo o que uma rede social é capaz de fazer na mente de seu usuário.  Para falar a verdade, nem o título original ou o brasileiro dão conta da dimensão dessa sinopse. Com toda a certeza poderiam ter escolhido um nome muito mais atraente para a película.

Apesar de um início talvez pouco animador (aguente firme e não desista antes!), a trama consegue seu ponto chave quando os 4 personagens da história são enclausurados dentro de um avião com pouquíssimo espaço. A partir dali tudo começa a ganhar vida e o atores surgem como o centro das atenções. Apesar de não ter explorado tanto a vida de cada personagem, Crow soube colocar de maneira precisa tudo o que necessitávamos saber para entender as características de cada um. A ideia do jogo foi ainda mais interessante, pois a partir das respostas, compreendíamos um pouco mais da personalidade de todos os envolvidos.

Como foi lançado em 2011, Pânico Virtual chegou em meio ao crescimento exacerbado do Facebook, rede que provavelmente foi a inspiração para o roteiro. A relação da trama com o mundo de hoje, principalmente aqui no Brasil, onde todo mundo parece estar conectado o tempo inteiro em suas timelines virtuais, é quase que direta. Passamos por temas como bullying, necessidade de reconhecimento, baixa estima, voyeurismo e muitos outros. E tudo isso muito bem acentuado através de um clima de suspense que ia crescendo a cada vez que um personagem tomava a cena a partir de um surto brutal.

Qualquer semelhança com filmes como Jogos Mortais (2004), Breathing Room (2008) e outros do gênero não é mera coincidência. Muita coisa do universo desses longas foram essenciais para a construção do roteiro de Panic Button. Todavia, a violência no filme de Chris Crow, digo as cenas pesadas de mortes envolvendo sangue e outros artifícios não aparecem com tanta evidência. O ponto chave do filme é certamente essa linha tênue entre a realidade e a ficção, além da carga dramática de cada personagem.

Por falar nas interpretações, todos os atores envolvidos mostraram a que veio e abrilhantaram ainda mais a película. Destaque para Michael Jibson (Dave), Scarlett Alice Johnson (Jo) e Jack Gordon (Max). A cada cena que surgia eles aparentavam total controle sobre seus personagens e não titubeavam quando era pedido um pouco mais de cada um. De fato os atores britânicos geralmente rendem muito mais do que os americanos, principalmente em filmes de pouca mídia.

Pânico Virtual de fato me surpreendeu e conseguiu ainda por cima um final nada clichê, apesar de não ter sido assim tão impensável depois que você acompanhou toda a trama. É um filme um pouco antigo, mas com certeza vale uma conferida.

Trailer:

Crítica: A Incrível História de Adaline (2015)

21 dez

Poster A incrível história de Adaline

Essa é uma daquelas histórias onde você se pergunta: “Por que eu não fiz isso antes?”. É a sensação que estou tendo agora depois de assistir A Incrível História de Adaline. Você que já viu o longa pode estar se perguntando o motivo já que o filme não é nada de extraordinário, como de fato não é.  Todavia, ele me pegou em certo momento da vida onde parei para refletir muito sobre minhas convicções e atuais expectativas sobre tudo.

O fato é que A Incrível História de Adaline seria um drama-romance como qualquer outro se não fosse o bom empenho de seus roteiristas. A trama cria uma certa relação com o Curioso Caso de Benjamin Buntton (2008), onde o personagem de Brad Pitt rejuvenescia a cada ano. No tanto, no filme do diretor Lee Toland Krieger, a personagem principal recebe uma capacidade de permanecer jovem para sempre, ou seja, seu corpo para de envelhecer aos 29 anos.

Adaline Bowman (Blake Lively) nascera na virada do século XX. Sua vida caminhava normalmente até a mesma sofrer um grave acidente de carro que a modificaria para sempre. Devido a consequências de seu acidente, seu corpo para de envelhecer, tornando-a um ser imortal com uma aparência de 29 anos. Adaline passa a viver uma existência solitária, sem criar laços ou vínculos com ninguém, com o intuito de não ter seu segredo revelado. Mas como não podemos prever nosso futuro, ela conhece o jovem Ellis Jones (Michiel Huisman), um belo e romântico homem que a faz repensar toda sua trajetória de vida.

A película começa a partir de uma narrativa bem breve sobre a vida de Adaline, passando por sua infância até o trágico acidente que a faz virar uma espécie de mutante. Todo esse início, apesar de trágico, fica envolto por uma atmosfera de conto de fadas, onde por um milagre a protagonista recebe um tipo de “dom-maldição” que a faz abdicar de muitas coisas, inclusive o amor de sua vida. Adaline então precisa se esconder de todos e, para isso, começa a falsificar seus próprios documentos para se esconder principalmente do governo americano.

Dentro dessas idas e vindas, com direito a um clima de suspense e ação, a bela conhece o jovem Ellis Jones (Michiel Huisman), um filantropo que se apaixona perdidamente por ela. É a partir daí que o rumo da trama muda completamente e nos damos de cara com mais uma daquelas histórias açucaradas nível Nicolas Sparks. O romance realmente funciona, principalmente por causa da química entre Lively e Huisman. Todo o clima de romance começa a caminhar lado a lado com o drama existencial vivido pela moça.

Já a direção de Krieger se torna eficaz quando mesmo que de maneira previsível, ele coloca Harrison Ford para interpretar um personagem crucial para o ápice da trama. É nesse momento que iniciamos um processo de descrença em um possível final feliz para Adaline. Além dos já citados, a aparição da atriz Ellen Burstyn, que interpreta a mãe já idosa da protagonista, é outro ponto forte da obra, que só faz agregar com sua bela interpretação.

A Incrível História de Adaline possui ainda uma excelente fotografia, que faz uma viagem no tempo contrapondo paisagens mais bucólicas com a efervescência da cidade grande. No entanto, o que de fato me conquistou nesse filme foi a forma como ele me fez repensar a vida real. Desde pequeno nós somos obrigados contemplar o final da princesinha do conto de fadas, porém ao longo da vida, com a chegada dos desgostos e desamores em nosso caminho, a gente começa a desacreditar que é realmente possível ser feliz, ou se realmente podemos ou merecemos isso. No entanto, A Incrível História de Adaline me fez ver que estamos muito mais condicionados a pensarmos negativo, do que de fato acreditar ou correr atrás de nossa própria felicidade. Afinal de contas, a vida é só uma e precisamos aproveitá-la da melhor forma possível. E nem sempre fugir é a melhor solução. Está na hora de voltarmos a enxergar graça no final feliz, pois sim, ele existe! E certamente é muito mais belo do que a Disney nos fez acreditar.

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Crítica: Jogos Vorazes: A Esperança – O Final (2015)

25 nov

jogos

E depois de tanta expectativa, tanta espera, eis que a franquia de Suzanne Collins finalmente chega ao fim com Jogos Vorazes: A Esperança – O Final. Devo admitir que, apesar da saga ser bastante interessante, principalmente no âmbito político, ela não conseguiu se manter e acabou frustrando grande parte dos expectadores com um final totalmente desmotivador.

A verdade é que esta última película estava sendo muito aguardada, pois nela estava concentrada toda a munição que Collins e o diretor Francis Lawrence (Eu Sou A Lenda) haviam guardado depois do anterior ter sido quase que um chá de Rivotril para muita gente. E não devo negar, tivemos sim muita ação, nada se comparado a Maze Runner: Prova de Fogo (2015), claro, porém de certa forma a obra conseguiu prender atenção do público.

O filme começa de maneira repentina, sem uma introdução ou grande abertura, justamente para passar uma sensação de continuidade. Katniss (Jennifer Lawrence) está de volta à sua base aliada, porém tentando se recuperar dos ferimentos causados por Peeta (Josh Hutcherson), que quase a matou estrangulada após despertar de seu transe causado pelas tropas de Snow (Donald Sutherland).

Para mim o grande ponto de Jogos Vorazes é certamente a sua audácia de conseguir trabalhar características sociais e políticas de uma forma instigante e ao mesmo tempo persuasiva, pois a cada cena, a cada acontecimento, os personagens vão tomando forma e tudo parece não fazer mais um grande sentido, nos forçando a realizar uma nova estratégia de escape para que possamos entender o que de fato está acontecendo ali. É uma narrativa transitória que desperta no expectador ou leitor dos livros, uma capacidade de raciocínio lógico que nos eleva a um certo grau de consciência dentro do nosso mundo real. No entanto, o grande problema neste filme é justamente a falta de tempo para que esses por menores pudessem se estabelecer adequadamente. A sensação que pairava era de que seguíamos uma corrida contra o tempo no intuito de que Katniss fosse atrás de sua vingança contra a Capital, mais especificamente contra Snow.

Ao que parece, a união de um jogo de valores, uma trama ágil e ao mesmo tempo persuasiva, características marcantes da saga, deixaram de coexistir de forma tão efetiva em A Esperança – O Final. O que vemos de início é um roteiro focado no “fazer e acontecer”, com pouco brilhantismo na condução de suas ideologias peculiares e ao mesmo tempo sem tanto impacto emocional. Um claro exemplo disso é a forma como a relação do triângulo amoroso entre Katniss, Peeta e Gale (Liam Hemsworth) se desenvolve ao longo do filme. Parece que todo aquele caos sentimental que acontecera nos últimos três longas não valeu de absolutamente nada, pois tudo foi adaptado de forma terrivelmente fria. Em tese isso pode ter sido ocasionado pela tensão pré-guerra em que ambos estavam expostos, porém ainda não encontro uma justificativa plausível para tal.

Outro grande problema de Jogos Vorazes: A Esperança – O Final foi certamente a quase inexistência de personagens de certa relevância para saga como Johanna Mason (Jena Malone) e Haymitch Abernathy (Woody Harrelson). Malone então teve sua participação reduzida a quase que um trabalho de figuração, uma coisa totalmente patética. Já Herrelson só apareceu realizado pontas em cenas de continuidade. Se isso tivesse acontecido unicamente com o Plutarch do falecido Philip Seymour Hoffman seria compreensível, já que o ator morreu em meio às gravações do filme, mas não foi o que ocorreu.

Quanto as atuações, Jennifer Lawrence esteve bem mediana interpretando a indecisa Katniss Everdeen, suas expressões em certos momentos soavam ou forçadas demais, ou totalmente apagadas. Tá certo que a personagem estava tentando lidar com um grande trauma e a sua situação atual não era das melhores, mas ainda sim senti que faltou um pouco mais de entrega por parte da moça. Nem parece aquela garota que roubou a cena no excelente Inverno da Alma (2011) da diretora Debra Granik. Já ó restante do elenco conseguiu manter um certo nível de equivalência, até porque não houve muito espaço para tantos destaques. Além de Jennifer os que mais apareceram foram Josh Hutcherson, Liam Hemsworth (muito mal aproveitado também diga-se de passagem), Donald Sutherland e Juliane Moore.

Já o ponto forte mesmo do filme foram as cenas de ação, principalmente na luta contra os Bestantes. Algumas sequências foram tão envolventes que até nos fizeram esquecer algumas perdas importantes que ocorreram pelo caminho. A trilha sonora também alcançou um excelente resultando em cima dessas tomadas mais explosivas. Já a fotografia aconteceu de forma simples, sem planos grandiosos ou tão impactantes. Quanto ao roteiro como um todo, eu entendi o sofrimento que seria encaixar tudo aquilo em um único filme até relevei a necessidade de evitar grandes suspenses para o ápice final. No fim ficou tudo muito previsível, mas já era de se esperar.

Jogos Vorazes – O Final com toda certeza não surpreendeu e de fato me deixou com a sensação de “missão incompleta”. Toda essa história de “guardar o melhor para o final” dessa vez não funcionou, ao contrário, acabou até atrapalhando o andamento de uma trama que tinha um grande potencial. O melhor que temos a fazer é idealizarmos a franquia dentro dos dois primeiros filmes. É o que irei fazer.  

Trailer:

*Crítica também postada no site Cabana do Leitor

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