Arquivo | abril, 2016

Crítica: Speed Dating (2007)

25 abr

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Faz algum tempo que não escrevo nada pro Foca, mas hoje resolvi assistir a alguns curtas LGBTs, e um em específico me chamou bastante a atenção. Daí resolvi expor minhas ideias aqui pra vocês, principalmente por se tratar de uma produção alemã, pouco conhecida e sem muitas informações na web.

Speed Dating é um curta-metragem de 30 minutos do diretor Gregor Buchkremer, que foge à linha tradicional de como se conta uma história de amor, apelando essencialmente para uma linguagem totalmente poética, com a intenção de retratar o homem e as suas necessidades afetivas através de uma atmosfera de sobrevivência.

Para quem não sabe, a expressão “Speed Dating” (Encontro Rápido) surgiu no ano de 1998 nos Estados Unidos. Ela foi criada pelo Rabino Yaacov Deyo e sua esposa, Sue, com a intenção de ajudar os jovens judeus a encontrar o amor. Anos mais tarde, a prática deixou de ser exclusiva do povo judeu e passou a fazer parte de várias outras culturas em países como China, Austrália e também por toda a Europa.

O filme de Buchkremer, lançado em 2007, aborda justamente essa maneira rápida e desesperada de se encontrar o amor, através dos “Shiduch”, ou encontros para ser mais claro, onde empresas qualificadas para tal possuem o trabalho de achar o par ideal para você. Toda essa introdução seria simples se não fosse um único detalhe: que acontece em Speed Dating é que as pessoas que não encontram seus pares a tempo, ou as que são trocadas por outras pessoas, ou até mesmo as que perdem os seus amores, simplesmente morrem de uma doença misteriosa. A partir dessa premissa é que a trama nos traz para a vida de Tim (Kristian Kiehling), um jovem que acaba de ser deixado por sua namorada, e com isso, ele precisa arranjar um novo amor antes que a morte bata à sua porta.

A grande sacada do longa é que ele basicamente não se leva a sério. E o que favorece bastante a narrativa, além de sua ótima trilha sonora, é claro, são as inserções do bom e velho humor europeu, só que desta vez de uma maneira bem mais escrachada. O fato é que essa trama não poderia ser mais atual do que já é, e mesmo tendo sido lançada há quase 10 anos atrás, ainda contribui muito para o que acontecem nos apps de relacionamentos, seja gay ou hétero. A busca incessante por uma outra pessoa meio que se torna algo vital para muita gente, e as que não encontram o seu par perfeito, muitas vezes se sentem rejeitadas, principalmente se você for mulher em meio ao mundo machista e ainda conservador em que vivemos.

As atuações também são bem convincentes. O ator Kristian Kiehling se sobressai com uma interpretação ímpar do início ao fim do curta. Kiehling transparece todo o ar de melancolia e ao mesmo tempo de frustração de seu personagem. Já Max Engelke e a funcionária da empresa de “Match”, que eu não encontrei o nome, são outros que aparecem também muito bem suas devidas cenas.

Outro ponto interessante da obra é que apesar de ser vendida por aí como um curta de temática gay, ela não foca essencialmente nisso, mas aborda o tema a partir de um roteiro criativo. O final também aparece como outro ponto forte, apesar de não ser o que muita gente esperava, acredito que tenha um pouco do que entendemos como “amor incondicional”, desejando a felicidade do outro independente de qualquer coisa. Vale muito a pena!

 

 

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