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Crítica: Canibais (2013)

28 dez

 

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Canibais faz parte de mais um daqueles casos de filmes completamente abandonados por suas distribuidoras. Só para você ter uma ideia, ele foi lançado ainda em 2013 em alguns festivais de cinema pelo mundo, inclusive aqui no Brasil, onde teve sua exibição fechada no Festival do Rio. Todavia, sua popularidade cresceu tanto, que a Paris Filmes resolveu agendar uma estreia a nível nacional, só que não.

The Green Inferno, título original, caiu no limbo do esquecimento e nunca mais ouviu-se falar sobre uma data de estreia do longa no Brasil. Primeiramente ela seria para setembro de 2014, depois passaram para setembro do ano seguinte e ao que parece a Paris Filmes desistiu mesmo do longa por aqui. Um caso recente e parecido aconteceu com Krampus: O Terror do Natal, que estreou no início de dezembro nos EUA, rendendo até uma boa bilheteria por lá, porém sua estreia que estava marcada para o dia 10 do mesmo mês aqui no Brasil, foi alterada sem previsão pela Universal Pictures Brasil. E tudo isso foi feito em cima da hora e sem qualquer consideração com os fãs (tá vacilando, hein Universal!). Toda essa falta de interesse só prejudicou os fãs dos filmes de terror, que ansiavam pela estreia de Canibais nos cinemas.

Falando um pouco sobre o filme, ele é dirigido por Eli Roth, o nome por trás do sucesso O Albergue (2005). Desde The Hostel, Eli não havia mais conseguido um grande sucesso e as continuações da franquia de terror já não geravam tanto impacto. Canibais veio para tirar todo esse atraso e posso dizer que o longa é de fato muito bem pensado e produzido.

Considerado uma reimaginação do clássico Cannibal Holocaust (1979), The Green Inferno traz uma excelente reflexão sobre direitos humanos e sua relação com o certo ou errado. Na trama, um grupo de estudantes ativistas viajam de Nova York até a Amazônia Peruana com a missão de salvar uma tribo ameaçada por empresas, que desejam tomar o lugar onde vivem. No entanto, o avião deles acaba sofrendo um grave acidente e cai em meio à mata selvagem. Os sobreviventes então são descobertos pela tribo que estavam tentando salvar. O que eles não podiam contar é que acabariam se tornando o jantar de seus ex-protegidos.

Tenho que concordar que a trama de Roth e Guillermo Amoedo foi de fato muito bem construída do início até o final. Já no começo do filme vemos jovens inseridos dentro de um hostil mundo acadêmico, um lugar ideal para entender um pouco mais da identidade de cada personagem. Justine (Lorenza Izzo) aparece como uma jovem curiosa e indignada com certas práticas realizadas pelo mundo. Após se encantar pelo líder ambientalista Alejandro (Ariel Levy), decide tentar entender um pouco mais sobre os movimentos sociais em seu campo estudantil e aceita um convite para uma reunião. A partir desse momento já identificamos elementos como um romance juvenil, inveja, ciúmes, bullying social, entre outros. Até me lembrou um pouco a série televisiva Glee, só que sem a cantoria, é claro.

Após um início devidamente estabelecido, a trama vai caminhando para um clima um pouco mais realista, seguindo o estilo de outros trabalhos de Eli Roth. O suspense vai aumentando e atrelado à excelente trilha sonora, se intensifica cada vez mais. Aos poucos a personalidade de cada personagem começa a aflorar e vemos uma situação de cada um por si. Os jovens atores escolhidos para o papel fazem um ótimo trabalho e conseguem ultrapassar a barreira do clichê de filmes do gênero, apesar de termos personagens bem característicos ali. No entanto todo conseguiram ser bem realistas de uma forma geral.

Já a grande sacada do filme fica mesmo por conta de sua excelente fotografia e caracterização. A Mata Atlântica chega a saltar os olhos durante algumas cenas aéreas e as pinturas e adereços dos corpos dos nativos eram tão bem feitos, que pareciam ser de fato reais. Os efeitos especiais também não ficaram para trás e por conta disso tivemos algumas cenas bem macabras e sanguinárias, daquelas de fechar os olhinhos (hehehe).

Canibais também passa por uma discussão que inclui assuntos como interesses políticos e consciência humanitária. Temas como desmatamento, corrupção, além de práticas polêmicas como a mutilação genital feminina são alguns dos assuntos abordados. E o interessante é ver que Roth em momento algum toma partido de qualquer assunto apresentado, isso ele deixa unicamente para o expectador. Esse vale uma boa espiada com toda a certeza!

Trailer:

 

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