Crítica: 82 Minutos (2015)

25 nov

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Com a proposta de desvendar o que existe por detrás da construção do Carnaval carioca, o “longa-documentário” de Nelson Hoineff (Alô, Alô Terezinha!) 82 Minutos (em referência ao tempo de desfile), dá vida a tudo aquilo que fica escondido atrás da magia da Marquês de Sapucaí. Falo do trabalho árduo, contínuo, empenhado para fazer com que aqueles minutos se tornem eternos na lembrança do público.

Para ilustrar uma linha narrativa que vai da escolha do samba-enredo até a apuração dos votos na contagem final, Hoineff decidiu pela escola de samba Portela. De acordo com o próprio, depois de realizar uma busca de campo para saber qual seria a escola adequada, passando por várias como Mocidade e Salgueiro, Nelson não teve dúvidas em saber qual seria a escolhida depois de visitar a escola de Madureira, na zona norte do Rio.

O filme acompanha o passo a passo de todo um trabalho voltado exclusivamente para o Carnaval. O que me chamou bastante a atenção foi a forma como o documentário foi traçando sua narrativa, que começa com a união de esforços e muita seriedade para fazer com que tudo aquilo aconteça da maneira correta, até o sentimento de união e de paixão pela escola nos momentos finais antes do desfile. O envolvimento emocional de todos os integrantes da Portela acontece aos poucos, passo a passo, criando uma sensação de expectativa entre os personagens e o público que está assistindo.

A edição do documentário para mim ficou uma coisa meio ambígua. Apesar de ela ter sido bastante objetiva em relação a fatos relevantes, passando por cenas em que era nítido o envolvimento daquelas pessoas com o trabalho em favor do Carnaval, também tivemos partes repetitivas demais, que pouco acrescentavam para o resultado final, mas estas foram realmente minoria. Eu só fiquei mesmo com a sensação de que o filme poderia ter durado um pouco menos, pois não tinha realmente necessidade daquelas duas horas e dez minutos.

Continuando a falar do olhar clínico do diretor, destaco a presença de figuras de bastante carisma no vídeo, como Nilce Fran, coordenadora das passistas da Portela, que indiscutivelmente roubou a cena com seu jeito despojado de ser. Além disso, tivemos também o casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Alex Marcelino e Danielle Nascimento, que transmitiram uma grande química e uma verdadeira paixão através da tela.

Uma coisa que me deixou curioso foi o próprio Nelson Hoineff ter dito que esse não era um filme sobre a Portela. Como não? Neste caso acho que houve um grande equívoco, pois a obra é única e exclusivamente sobre a escola, pois mesmo que você queira, não existe uma maneira de falar de Carnaval, tendo uma escola como pano de fundo, sem você criar um vínculo direto com a mesma. É impossível. A não ser que não exista qualquer tipo de apelo emocional e que a coisa esteja focada totalmente na parte técnica, pois se não for dessa maneira, não dá.

82 Minutos é de fato um excelente documentário, com uma ótima fotografia e algumas sequências bem interessantes, apesar de algumas câmeras tremidas. Ele realmente fala a linguagem do Carnaval Carioca, traduz a emoção e traz à tona todo o trabalho e seriedade deste espetáculo grandioso. Está muito bem recomendado.

*Crítica também postada no site Blah Cultural

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