Crítica: Maze Runner: Prova de Fogo (2015)

22 set

 

Maze-Runner-Prova-de-Fogo

A frase “O labirinto era apenas o começo”, de longe, parece até uma daquelas propagandas forçadas para se vender um filme. No entanto, depois de assistir a Maze Runner: Prova de Fogo, descobri que às vezes elas podem ser muito verdadeiras.

Para quem não sabe, a franquia Maze Runner é uma adaptação de uma trilogia literária escrita pelo norte-americano James Dashner, que já vendeu milhões de livros desde seu lançamento, em 2009. Com o sucesso da publicação, a Fox apostou na idéia e resolveu adaptar a primeira trama para as telonas. Foi então que no ano de 2014 surgiu o longa Maze Runner: Correr ou Morrer, que além de uma bilheteria de mais de 300 milhões de dólares, conseguiu ótimas críticas no geral, sendo considerado uma das melhores adaptações literárias dos últimos tempos.

Depois de fazer tanto sucesso com o primeiro filme, a saga não podia decepcionar neste segundo. E assim foi. Maze Runner: Prova de Fogo traz uma trama repleta de suspense e muita ação no maior estilo “salve-se quem puder!”. Mais uma vez, acredito que o universo do livro tenha sido muito bem explorado.

A história acontece logo depois de Thomas (Dylan O’Brien) e seu amigos terem fugido do labirinto e posteriormente da Clareira, sendo resgatados por um grupo de soldados armados. Logo em seguida, os jovens são alocados em uma base de segurança comandada por Janson (Aidan Gillen), que lhes proporcionam abrigo e uma promessa de uma vida melhor. No entanto, para Thomas e o misterioso Aris (Jacob Lofland), um dos primeiros sobreviventes a chegar no local, o lugar não parece ser tão confiável assim. Aos poucos, ambos começam a descobrir que o perigo pode ser muito maior do que eles imaginavam.

Devo admitir que a história não é lá muito original, sendo bastante previsível do começo ao fim. Talvez isso se dê pelo fato de que já estamos familiarizados demais com adaptações juvenis desse tipo, que desde Harry Potter já fazem milhões de fãs ao redor do mundo. Se não temos um roteiro inovador, o jeito seria mesmo apostar em uma direção eficiente, capaz de driblar as adversidades do caminho.

Para se diferenciar de outras franquias bem parecidas como Jogos Vorazes e Divergente, a adaptação de T.S. Nowlin e a direção de Wes Ball, transformaram este longa em uma espécie de thriller apocalíptico, repleto de suspense, ação e até um pouco de terror. Se toda aquela história de complô governamental em busca de seus próprios interesses parece batido, a inserção de seqüências eletrizantes dignas do excelente Extermínio (2002) de Danny Boyle ou Guerra Mundial Z (2013), surgiu como uma carta na manga efetiva para esta película.

A tensão da trama era estabelecida a cada cena. Apoiada por uma trilha sonora bem eficiente, que enfatizava toda aquela atmosfera de perigo, Thomas, Teresa (Kaya Scodelario), Minho (Ki Hong Lee) e companhia, precisavam lidar com um novo adversário a todo instante. Além de fugir da CRUEL, os jovens tinham de enfrentar zumbis, tempestades violentas, ambientes completamente hostis, mercenários, entre outras coisas. E a cada fase tudo isso se intensificava ainda mais. Era tanta adrenalina que eu não conseguia tirar os olhos da tela.

Falando um pouco sobre o elenco, o personagem de Dylan O’Brien segue sendo o corajoso líder do grupo desde o início. Seu Thomas passa por todos os clichês de protagonistas do gênero, tendo de ser bondoso ao extremo, amigo, caridoso, racional e bastante perspicaz a todo instante. Na verdade, o que o diferencia de outros como Katniss Everdeen de Jogos Vorazes ou a Tris de Divergente é a sua autoconfiança, que lhe permite fazer o que for sem titubear ou ter medo do que vier pela frente.

Já outros como Kaya Scodelario, Ki Hong Lee e Rosa Salazar também estiveram muito bem em seus papéis, colaborando muito para o bom andamento do filme. Todos enfatizaram o lado humano de seus personagens, transportando para cada um deles seus interesses pessoais e mais profundos. Existia ali uma personalidade latente dentro de cada um deles, que era construída gradativamente. Já Aidan Gillen também esteve muito bem como o sarcástico Janson. Suas expressões caricatas serviram para compor de maneira bem significativa toda a plenitude de seu personagem.

Não podemos negar o cunho separatista da trama, que passa pelos clichês do cinema em sempre destacar aquele que pareça ser mais comercial e americano, do menos vendável ou considerado “inferior”. Personagens negros, asiáticos, indianos geralmente são sempre os primeiros a sumirem, ou não possuem um destaque adequado dentro da história.

No mais, devo admitir que fiquei animado com o rumo que Maze Runner está tomando, se tornando um pouco mais adulto, repleto de mistérios ocultos, terror, suspense, ganância até mesmo com menções às drogas e outros assuntos proibidos. Se no terceiro filme a coisa se manter, certamente teremos mais uma ótima película para assistir.

Ficha Técnica:

Título original: Maze Runner: The Scorch Trials

Gênero: Aventura, Ficção, Ação

Direção: Wes Ball

Roteiro: T.S. Nowlin (cinema), James Dashner (livro)

Elenco: Dylan O’Brien, Aidan Gillen, Jacob Lofland, Kaya Scodelario, Ki Hong Lee, Rosa Salazar, Thomas Brodie-Sangster, Patricia Clarkson, Lili Taylor, Barry Pepper, Nathalie Emmanuel, Alan Tudyk, Katherine McNamara, Keith Jardine e Giancarlo Esposito.

Produção:Marty Bowen, Eddie Gamarra, Wyck Godfrey, Ellen Goldsmith-Vein, Joe Hartwick Jr. e Lee Stollman.

País: Estados Unidos

Estreia: 17/09/2015 (Brasil)

Distribuição: Fox     

Trailer:

*Crítica também postada no site Blah Cultural

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2 Respostas to “Crítica: Maze Runner: Prova de Fogo (2015)”

  1. Henrique setembro 27, 2015 às 4:28 am #

    Eu discordo. O filme é bom em ação, mas a adaptação não ficou boa. Eu sou muito compreensivo no sentido de que não dá pra colocar tudo o que tem no livro, e que algumas coisas precisam ser mudadas, Mas mudaram coisas principais na trama, coisas que não podiam ser mudadas, porque tornavam a história única.
    Primeiro: por quê mais zumbis? Por quê tem de ter zumbis no fim do mundo? Não é assim. Os infectados são “Cranks”, que é, como adjetivo em inglês, sinônimo de debilitado, doentio. É uma doença (o Fulgor) que se espalha pelo ar, e não por mordidas e, sendo a primeira uma forma de contaminação muito mais difícil de controlar, torna o fim do mundo mais palpável, Além disso, a doença se dá no cérebro das pessoas, destruindo ele lentamente, tornando quem tem o fulgor uma pessoa irritadiça, com acessos de loucura, uma loucura insana, que os torna monstros por momentos, mas a face mais cruel da doença é que o infectado tem lapsos de consciência, e sabe de sua condição, mas a doença é que impera, O fato de ser uma doença degenerativa progressiva também faz falta, uma vez que os cranks têm inteligência, ou seja, são verdadeiros monstros em pele humana, uma vez que podem maquinar e armar emboscadas, o que deixaria, ao meu ver tudo mais difícil e interessante. Resumindo essa primeira parte, os cranks não são zumbis, são cranks, com característica e mérito próprios.
    Segundo: o título “Prova de fogo” perde todo o sentido no filme, uma vez que o que acontece no segundo livro é realmente uma segunda prova, arquitetada pelo Cruel, e o fim do livro aconteceu no começo do filme, deixando de fora muitos eventos cruciais, que mudam o rumo da história e como ela termina.
    Terceiro: não existe essa enzima produzida no cérebro dos imunes. Se fosse assim, seria mais fácil simplesmente criá-los como gado, ao invés de mandá-los para o labirinto para morrerem com os verdugos. Não tem lógica, se eles eram tão necessários para a produção das enzimas. Outra coisa: porque motivo colocar garotos que não eram imunes no labirinto? Se o propósito do labirinto era estimular os imunes a produzir a tal enzima, porque gastar recursos com quem não era imune? No livro, idéia principal do Cruel com as provas era determinar o padrão de cargas neurais em um cérebro imune para tentar criar um esboço de uma cura. Eles forçavam os garotos ao máximo, para forçar os seus cérebros, e assim, obter mais dados. Nada dessa tal de enzima. O que existia para retardar essa doença era uma droga, muito cara, que aliás era um calmante, evitando os primeiros sintomas da doença (irritabilidade e maior agressividade), mas não a impedia de avançar, seguindo o doente inexoravelmente para o caminho da loucura.
    Quarto: o Braço Direito não é necessariamente bom, como é retratado no filme. Eles estão contra o Cruel, mas única e simplesmente por conta dos recursos que foram gastos por eles e a demora com a obtenção da cura. Tanto que, na história, eles que juntam crianças para o Cruel, como isca tenho de dizer, mas não regatam nenhuma delas depois.
    Quinto: Jorge e Brenda são agentes do Cruel e são imunes. Não tem nada da Brenda ser mordida.
    Sexto: quem morre dos amigos que fogem do labirinto é o Newt, assassinado pelo Thomas, a pedido do próprio Newt, pois ele contrai o Fulgor e não quer terminar os seus dias como um Crank, um louco insano preso na própria mente. Isso acontece no terceiro livro, então seria spoiler, mas só se fosse acontecer no filme.
    Sétimo: Thomas não deu coordenadas dos laboratórios para ninguém, pois não era necessário, todos sabiam aonde ficava a base do Cruel, uma vez que o mesmo é uma agência criada em conjunto de todos os países que sobreviveram aos ventos solares na tentativa de criar uma cura para o Fulgor e, neste caso, tudo que eles faziam era “legal”. Não é atoa que essa agênia possui tantos recursos, pois estes são destinados para a obtenção da cura. Ainda existiam cidades fechadas, como pessoas que trabalhavam “normalmente” dentro delas, e os recursos produzidos, em sua maioria, iam para o Cruel.
    Oitavo: “Beth” era o nome de um helicóptero, igual ao que a Eva Paige usou. Aliás, ela sequer aparece durante toda a saga, exceto no fim da trama, no fim do terceiro livro, e Thomas só vê suas costas, por um motivo crucial que muda o fim da história em si.

    Poderia falar mais, mas acho que já expressei minha indignação o suficiente. O livro é ótimo, e o filme errou feio na adaptação, na minha opinião. Não vou ver o próximo filme da sequência, porque a história mudou drasticamente de rumo e eu me recuso a essa nova versão. Fica a cargo de cada um escolher, mas eu não recomendo se você leu os livros.

    • Foca na Pipoca setembro 30, 2015 às 7:30 pm #

      Seja bem-vindo Henrique! Entendo suas considerações, algumas pessoas também não acharam a adaptação tão fiel e já outras gostaram assim como eu. Analisando o filme como um todo, eu gostei muito e isso da par ver na crítica, mas é uma questão de ponto de vista, eu analisei o formato cinematográfico, mas admito que não sou um voraz leitor da saga. Li os livros por alto devido a falta de tempo. Entretanto, obrigado por opinar. 😉

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