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Crítica: Homem Irracional (2015)

30 ago

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Homem Irracional é a nova aposta do cineasta Woody Allen nos cinemas. O longa estrelado por Joaquin Phoenix e Emma Stone, é composto por alguns dos elementos já abordados pelo diretor em trabalhos anteriores, como o suspense comedido e a fragilidade humana.

A película aborda a história de Abe Lucas (Joaquin Phoenix), um aclamado professor de filosofia, que está em plena crise existencial. Quando Abe decide lecionar em uma faculdade da pequena cidade de Braylin, ele acaba conhecendo Jill (Emma Stone), uma jovem estudante, totalmente fascinada pelo seu trabalho e sua fama de escritor. Com o passar do tempo, e devido à insistência da moça, Abe acaba se tornando muito próximo de Jill, assim como da insinuante professora Rita (Parker Posey), que mesmo sendo casada, vive arrastando asas para o colega de trabalho. No entanto, a vida vazia do escritor só começa a ter sentido, após o mesmo ouvir acidentalmente uma conversa de uma mãe, desesperada pela ideia de perder a guarda de seu filho devido a uma influência desapropriada do juiz Spangler (Tom Kemp). É nesse momento que Abe decide armar um plano para assassinar a autoridade pública, com o propósito de livrar a mãe de uma grande decepção.

Irrational Man, título original, é de fato um conjunto de elementos já vistos em outros filmes de Allen. Assim como em Ponto Final – Match Point (2005), onde alguém é possuído pela ideia de se tornar um assassino em potencial, em Homem Irracional a coisa não é muito diferente, pois o protagonista claramente acaba sucumbindo ao desejo de se tornar um “benfeitor”, a partir de um ato totalmente inescrupuloso. O diretor brinca com essa transição entre a loucura e a sanidade humana, onde um homem aparentemente inofensivo, de repente, se mostra um serial-killer em potencial. É aquele velho ditado do ‘lobo em pele de cordeiro’. E também não podemos negar a inserção de um juízo de valor, pois Allen nos faz refletir sobre toda aquela situação ficcional ali apresentada. Afinal, seria um assassinato em causa de um bem maior? Os fins justificam os meios? É para refletir.

Outro tema presente nesta película é imprevisibilidade do amor, no que diz respeito a ideia de que você nunca sabe o que pode acontecer. Na trama, a relação de Abe e Jill começa tomando um rumo e no final a coisa termina de uma maneira totalmente diferente. É um pouco do que já vimos em Tudo Pode Dar Certo (2009), no que diz respeito ao rumo dos personagens principais, que começam de uma maneira e, de repente, já estão de outra. No entanto, em Homem Irracional tudo isso é construído a partir de uma narrativa muito bem elaborada, sendo privilegiada pelo suspense da trama.

A fotografia da obra é trabalhada a partir de ambientes mais claros, que possuem uma certa luminosidade, contrapondo toda aquela sensação obscura do personagem de Phoenix. Por falar nele, o ator está muito bem no papel, atribuindo a Abe, uma personalidade totalmente ambígua e curiosa, de uma maneira bastante sutil. Phoenix chegou ao ponto certo sem parecer caricato ou cansativo demais. Já Emma Stone, que já pode ser considerada a nova queridinha de Woody Allen, depois de Diane Keaton, Scarlett Johansson, Cate Blanchett e companhia, conseguiu estar bem no papel da mocinha inebriada, mas sem muito brilhantismo. Talvez ela ainda esteja se adequando ao mundo do cineasta, que depois de seu bom desempenho em Magia ao Luar (2014), seguiu fazendo alguns laboratórios para melhorar sua atuação.

Homem Irracional é um filme com todas as características de Woody Allen. Se você está procurando por boas atuações, uma história com um desenvolvimento interessante, ele é certamente uma excelente opção.

Trailer:

*Crítica também postada no site Blah Cultural

Crítica: Extinction (2015)

30 ago

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Uma coisa não podemos negar: depois do surgimento de A Noite dos Mortos Vivos (1968), do grande George A. Romero, o universo dos zumbis jamais saiu de moda. Muitos anos se passaram e o cinema, assim como a TV, sempre estão apostando nesse excitante subgênero do terror.

Romero foi o grande precursor, mas depois dele, tivemos, é claro, outros excelentes cineastas que apostaram em cheio em histórias recheadas de mortos vivos. Produções como The Walking Dead (série), Resident Evil (franquia), Rec (franquia), Guerra Mundial Z (2013) e os excelentes Extermínio 1 e 2 (2002 / 2007), nos mostraram o quão interessante essas tramas podem chegar a ser.

Por outro lado, também tivemos longas tão ruins, mas tão ruins, que acho que nem tenho memória para citar todos aqui. O fato é que para se fazer um bom filme de zumbis, é preciso, acima de tudo, muita criatividade e um excelente roteiro. A partir daí acredito que a coisa possa ter um bom futuro. É claro que um belo orçamento ajuda (bastante), mas acima de tudo faz-se necessário uma produção alinhada para que as coisas saiam bem.

É pegando esse gancho que entro para falar sobre Extinction, um filme do diretor Miguel Ángel Vivas, que dirigiu o ótimo curta (também sobre zumbis) I’ll See You in My Dreams (2003). Vivas ainda não chegou a realizar algum trabalho de tanto destaque na mídia, mas além do curta citado, ele esteve à frente do longa Horas de Medo (2010), um thriller recheado de tensão e muito terror, meio que seguindo a linha de Os Estranhos (2008).

Extinction estreou em julho no Fantasia International Film Festival, no Canadá, e no dia 31 do mesmo mês nos Estados Unidos. O filme, como quase todo filmes do gênero, aborda uma realidade apocalíptica, onde grande parte da raça humana foi transformada em zumbis. O começo do longa, que me remeteu a uma cena de Extermínio 2 (2007), apresenta um grupo de sobreviventes tentando fugir da contaminação, porém no meio do caminho algo dá errado e todos precisam lutar por suas vidas novamente. Dentro de todos aqueles refugiados, existem Patrick (Matthew Fox) e Jack (Jeffrey Donovan), que possuem uma ligação devido a um passado conturbado. Alguns anos depois, os dois sobreviventes vivem isolados em uma pequena cidade em meio a um gelo glacial. No entanto, Jack também precisa cuidar de Lu (Quinn McColgan), sua filha pequena. Quando tudo parecia calmo demais, eis que eles descobrem que as criaturas estão de volta, só que de uma forma ainda mais mortal. Juntos, eles precisam achar uma forma de sair daquele lugar.

A grande sacada de Extinction é de fato o seu roteiro, que apostou em uma tensão vivida inteiramente por seus protagonistas. Devido a um baixo orçamento, Vivas decidiu criar uma relação bem minimalista, quase claustrofóbica, focando seu filme em cima de conflitos pessoais, que se tornaram ainda mais intensos devido ao clima de tensão da trama. O drama dos protagonistas é abordado a partir de “flashbacks” que ocorrem ao longo da película, o que torna a história ainda mais interessante e envolvente, pois cria uma relação de envolvimento com o expectador.

Todo esse clima intimista, é claro, não iria funcionar sem atuações consistentes. E para nossa sorte, nós também temos! As atuações de Matthew Fox (da série Lost / Imperador) e Jeffrey Donovan (da série Fargo / Encontros ao Acaso) estavam incríveis. Fox, inclusive, estava irreconhecível caracterizado como seu personagem Patrick. Na verdade, eu tomei um choque quando vi o quanto ele envelheceu da era Lost pra cá. Já Donovan esteve também muito bem interpretando o atormentado Jack, cheio de desconfianças e com muito medo do futuro. A pequena Quinn McColgan também foi uma boa surpresa, sua doce Lu nos encantou com a sua ternura.

A fotografia do longa me surpreendeu. Todo aquele ambiente gelado, combinado ao lindo pôr do sol surgiram como um “plus” para estra obra tão instigante. Extinction pra mim, é uma deliciosa combinação de Extermínio (2002) com 30 Dias de Noite (2007). Ele é a prova de que não de precisa de um alto orçamento para ser fazer um bom filme de zumbi. Apenas um roteiro bem escrito e uma equipe empenhada já é capaz de nos surpreender. Fica aí uma boa dica.

Trailer:

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