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Crítica: Que Horas Ela Volta? (2015)

29 ago

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Que Hora Ela Volta? é um filme brasileiro que vêm fazendo bonito em vários festivais ao redor do mundo, desde janeiro deste ano. Com um elenco quase que desconhecido, a não ser por Regina Casé (Made In China / Eu, Tu, Eles) e algumas outras participações, que já apareceram na telinha da Globo, o longa da diretora Anna Muylaert (Irmã Dulce) comove, consegue trabalhar questões de desigualdade social, relações familiares e preconceito, como há muito tempo não víamos no cinema nacional.

A trama gira em torno da vida doméstica de Val (Regina Casé), uma nordestina que vai para São Paulo em busca de uma melhor condição de vida, sua intenção é apenas conseguir dinheiro para poder enviar à sua filha pequena, que ficou em sua terra natal. Trabalhando há 10 anos como empregada em uma casa de gente rica no bairro do Morumbi, em São Paulo, Val de repente recebe a ligação de sua filha, que lhe dá a notícia de que pretende vir à cidade para poder prestar vestibular. Jéssica (Camila Márdila) então chega, de início é super bem recebida, mas aos poucos sua presença começa a inquietar os moradores de seu novo lar.

O roteiro de Muylaert não é original, de fato, mas a condução do mesmo é trabalhado de forma bastante precisa. O engraçado é que de início temos a sensação de já saber exatamente tudo o que pode acontecer, pois quando a personagem de Camila Márdila chega à São Paulo, nossa primeira reação é pensar no óbvio, mas nos equivocamos quando a direção do longa entra em ação nos colocando para refletir sobre todo esse preconceito que temos em relação à vida, ou ao que já sabemos dela, com seus protagonistas, que somos nós. Não podemos negar que as atuações também ajudaram bastante nesse quesito, as desconhecidas Camila Márdila e Karine Teles foram totalmente pautadas no realismo cotidiano. Entretanto, nada tira o brilho categórico de Regina Casé. A apresentadora do Esquenta! estava simplesmente maravilhosa! Sua nordestina conseguiu ser a mais carismática e encantadora possível. Regina, como todo seu talento, trouxe a essência real do que é ser um nordestino, com suas expressões faciais, seu modo de falar, seu adorável linguajar típico, enfim, tudo o que não podia faltar estava lá. Consigo dizer que ela com toda a certeza colocou um “plus” a mais no longa, que sem isso, talvez não tivesse sido tão verdadeiro.

A relação entre patrão e empregado (rico e pobre) e também a relação familiar entre o elenco é posta de um modo totalmente contemporâneo, enquanto alguns pais dão a vida por seus filhos, já outros, sequer conseguem trabalhar um afeto mais preciso. De certa forma, consegui me enxergar no meio daquilo tudo, e posso dizer que foi meio triste, pois a sensação que tive não foi das melhores, admito. Apenas tive de refletir.

O triste disso tudo é que infelizmente um trabalho tão bem feito quanto esse, não terá a oportunidade de ser exibido para pessoas mais humildes, pessoas que consigam se enxergar na nordestina vivida por Casé. Pelo menos aqui no Rio de Janeiro, quase todas exibições estão voltadas para zona sul, ou seja, para a elite carioca. Se eu tivesse algum poder, certamente modificaria isso, pois esse filme merece ser apreciado por todos os brasileiros.

Trailer:

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