Crítica: Rainha e País (2015)

21 jun

QAC_120X160_DEF2.indd

Depois de uma espera de exatamente 28 anos, eis que John Boorman nos apresenta a continuação do sucesso Esperança e Glória (1987), um longa que no passado encantou plateias por conseguir traçar um olhar inusitado sobre a Segunda Guerra, através de um drama recheado de beleza e a inocência do personagem de Sebastian Rice-Edwards, o carismático Bill Rohan.

O longa da década de oitenta fez muito bonito, arrematando um Globo de Ouro na categoria de melhor filme de comédia ou musical, um prêmio BAFTA na categoria de melhor atriz coadjuvante por Susan Wooldridge e várias indicações ao Oscar de 1988, incluindo o prêmio de melhor filme.

Rainha e País (Queen and Country) começa exatamente com a reprodução da última cena de seu antecessor, com o pequeno Bill Rohan atirando uma boina para o céu e agradecendo pelo cancelamento de suas aulas, devido uma bomba ter atingido a escola que frequentava. “Obrigado, Adolf!”, gritava Rohan.

A trama segue ambientada algum tempo depois, com Bill (Callum Turner) gozando do vigor de seus dezoito anos. Com o recebimento de uma intimação para se alistar às forças do exército britânico, ele precisa largar sua família e encarar um mundo totalmente novo. Já dentro do ambiente militar, ele conhece Percy Hapgood (Caleb Landry Jones) e os dois se tornam melhores amigos. Entre os medos e desejos da puberdade, ambos decidem unir forças para que possam sobreviver à rigidez e ameaças do exército.

Esta sequência de fato não nos apresenta muita coisa nova. O roteiro de John Boorman não chega a ser ruim, mas careceu de momentos mais singulares como tivemos em Esperança e Glória. A comédia dramática se tornou muito mais comédia e as poucas tentativas de externar os sentimentos de seu protagonista não soaram como deveriam.

Uma coisa que me chamou bastante a atenção foi a falta do caricato sotaque britânico em alguns personagens. Callum Turner, principalmente, me parecia advindo de qualquer outro lugar da América do Norte, não da Inglaterra. Aliás, a atuação de Turner foi bem mediana, o senti bastante travado durante algumas cenas. Já seu colega de elenco, o ator Caleb Landry Jones se mostrou totalmente o oposto. O astro de Antiviral (2012) talvez tenha pecado por dar um tom bem exagerado para seu personagem. Entretanto, não chegou a decepcionar. E em alguns momentos até que funcionou muito bem, se tornando um chamariz para o filme.

Talvez tenha sido a falta de prática de Boorman, por ter esperado muito tempo para lançar uma continuação, mas acredito que algumas coisas se perderam ao longo da trama. A personagem de Tamsin Egerton, a enigmática Ophelia, ficou bastante apagada dentro da história. E isso fez com que com que boa parte do elenco tivesse que entrar para suprir a necessidade da relação do protagonista com ela.

Dentre as boas partes da película posso continuar destacando a leveza como Boorman inseriu toda aquela atmosfera de caos e conflito da Guerra da Coreia, sobrepondo o bom humor e a vivacidade da juventude acima de qualquer situação mais sombria. Na verdade, a comédia funcionou mais como uma sátira a todo e qualquer tipo de poder autoritário. As atuações também se mostraram bem positivas e o filme conseguiu uma linearidade do começo ao fim.

Concluindo, Rainha e País não conseguiu superar seu antecessor, na verdade está um pouco longe disso, mas serve como consolo para os fãs do clássico oitentista. No mais, se trata de uma obra para assistir sem muita pretensão, apenas para sentar e relaxar com a família.

Trailer:

*Crítica também postada no site Blah Cultural

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: