Crítica: Crimes Ocultos (2015)

22 maio

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Baseado no primeiro livro da trilogia de Tom Rob Smith, Crimes Ocultos (Child 44), longa produzido pelo mestre Ridley Scott (Blade Runner / Alien), é de fato uma adaptação bem ousada e que chama a atenção, principalmente do governo russo, que recentemente causou polêmica ao declarar que o filme retrata os soviéticos unicamente como uma “massa sangrenta” e decretando a proibição do mesmo por lá. Entretanto, apesar de interessante, a película pode ter ficado bem aquém do esperado. Vamos analisar!

Crimes Ocultos já logo de cara chama a atenção devido a seu elenco de primeira, que conta com nomes como Tom Hardy (Mad Max: Estrada da Fúria), Gary Oldman (Os Infratores) e Noomi Rapace (Prometheus). Hardy e Oldman inclusive já trabalharam juntos recentemente em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012), no qual ambos interpretaram os personagens Bane e James Gordon, respectivamente.

A obra nos faz voltar ao passado, mais precisamente no início dos anos 50. Nesta época, o regime autoritário da União Soviética comandado por Stalin, estava a todo vapor. E é dentro deste clima de tensão que a trama do diretor Daniel Esponisa (Protegendo o Inimigo) acontece.

Leo Demidov (Tom Hardy) é um órfão que foi acolhido por um militar numa época em que milhões de crianças haviam perdido seus pais devido a uma sangrenta guerra civil na Ucrânia. Anos mais tarde, Leo se consagra como líder do departamento investigativo da KGB (Comitê de Segurança do Estado), após aparecer como o grande salvador da URSS na luta contra o regime Nazista, no fim da Segunda Guerra Mundial. Tudo parece ir muito bem para ele, que possui um cargo digno de inveja de seus companheiros, status, uma família que o ama e Raisa (Noomi Rapace), sua bela esposa.

As coisas então começam a mudar quando o filho de seu amigo é encontrado morto bem próximo a uma linha de trem. A morte, que notoriamente parece resultado de um assassinato, é tratada apenas como um “simples acidente” pelo governo local, já que até então a União Soviética era vista como “paraíso”, e como diziam: “não há crimes no paraíso”. A partir daí, Leo se vê intrigado com a situação e resolve investigar o caso, juntamente com sua mulher. O único problema é que seus superiores não parecem gostar muito da ideia de trazer a verdade à tona e, por causa disso, Leo e sua família passam a correr risco de vida.

Com toda a certeza a obra de Tom Rob Smith é uma história com bastante recheio, com direito a dramas pessoais e familiares, momentos históricos, governos de índole duvidosa, entre outros. No entanto, senti que a mão de Espinosa tremeu quase que literalmente no andamento da coisa.

Primeiramente notei que muitas cenas tinham uma câmera bastante tremida, com a intenção de dar um pouco mais de realidade para o momento. Entretanto, as vezes a técnica parecia exagerada demais e me sentia como se estivesse em uma montanha russa ambulante. A fotografia do longa como esperado, era bastante escura, com muitas nuances frias, típicas de filme de guerra. Já o roteiro de Richard Price se tornou muito, mas muito confuso. A verdade é que Espinosa tinha um diamante bruto nas mãos, mas que não soube lapidar da forma correta. Talvez se Ridley Scott estivesse no comando o resultado fosse um pouco melhor.

Eram muitos detalhes a serem abordados: ambições políticas, a ameaça de um serial killer, personagens intensos e tudo isso ambientado em uma atmosfera pós-guerra. É de fato muita coisa para um filme só, tanto que nenhuma delas foi tratada de forma mais profunda, o que fez com que o filme se tornasse superficial demais, além de confuso, principalmente da metade para o final. A sensação é de que ficaram lacunas a serem preenchidas, e isso para um filme desse porte não é nada bom. Não é à toa que a crítica europeia não pareceu muito satisfeita com a película, alegando a falta de conteúdo adaptado do livro, como uma abordagem mais política, homossexualidade e principalmente o lado mais psicológico de seus personagens.

No entanto, posso facilmente destacar o belo desempenho do elenco. Tom Hardy, assim como Noomi Rapace estavam impecáveis. Eu fico impressionado com a versatilidade de Hardy como ator. O cara simplesmente se entrega em qualquer papel que ouse fazer. E neste filme não foi diferente. O seu personagem conseguiu passar de anti-herói para o mais aclamado dos mocinhos de uma forma magnífica. Já a bela Rapace mostrou que possui mais conteúdo do que eu pensava, dando um show de atuação e carga dramática em muitas cenas.

O personagem de Gary Oldman teve pouco destaque, mas conseguiu passar o recado. Já Joel Kinnaman (Noites sem Fim), talvez tenha surgido como a grande surpresa do longa. Seu personagem, apensar de também ter sido pouco explorado, brilhou nos momentos cruciais deste suspense. No mais, eu ainda posso destacar a excelente trilha sonora, que elevou o status do filme com toda a certeza.

Resumindo a obra, Crimes Ocultos, filme que poderia ser um candidato nato ao Oscar 2016, sai da corrida devido a problemas nítidos em sua condução. No entanto, a trama vale a pena por abordar um tema bastante sensível, uma realidade que talvez poucos conheçam.

Trailer:

*Crítica também postada no site Blah Cultural

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