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Crítica: The Normal Heart (2014)

9 jun

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Simplesmente fiquei surpreso com este trabalho do cineasta Ryan Murphy, que é mais conhecido pelo povão por ter produzido as séries televisivas Glee e American Horror Story.

The Normal Heart é um longa com temática LGBT produzido pela HBO, que na verdade é uma adaptação teatral de 1985 escrita por Larry Kramer. Ele não é apenas mais um filme contando sobre como os gays se divertem, óbvio que existe isso, mas sua intenção está muito longe de qualquer apelo mais sexual.

A película tem como missão mostrar como foi o início da descoberta da AIDS no começo dos anos 80. A obra está recheada de estrelas como Mark Ruffalo (Os Vingadores), Julia Roberts (Álbum de Família), Matt Bomer (Magic Mike) e Taylor Kitsch (John Carter: Entre Dois Mundos), que dão um espetáculo à parte.

A sinopse gira em torno de Ned Weeks (Mark Ruffalo), um escritor um pouco retraído quando se trata de sua própria sexualidade, que acaba de chegar à casa de seus amigos no litoral de São Francisco. Pouco tempo depois, o mesmo presencia a morte de um de seus melhores amigos devido a um vírus ou como eles denominam na trama, um tipo de “câncer gay”, que aparentemente têm afetado apenas homossexuais do sexo masculino. Ned fica intrigado com isso e resolve investigar quais seriam as causas de tantas mortes em um curto espaço de tempo. Na luta contra esta terrível doença, entram a Dr. Emma Brookner (Julia Roberts) e os amigos de Weeks Bruce Niles (Taylor Kitsch), Mickey Marcus (Joe Mantello), Tommy Boatwright (Jim Parsons), entre outros que precisam correr contra o tempo e fazer com que o governo assuma sua responsabilidade e ajude a combater esta nova epidemia.

Sabe, uma surpresa muito grata deste filme foi com toda a certeza Matt Bomer, que interpreta o jornalista Felix Turner, e que porventura se envolve amorosamente com o personagem de Ruffalo. Por ironia do destino, Felix também é contagiado pela doença e é aí que a carga dramática do ator aparece. Bomer sempre foi muito superestimado por conta de sua beleza, e quando se assumiu publicamente gay, também chegou a perder bons papéis em Hollywood por conta do machismo e preconceito dentro do show business. Entretanto, o ator chegou a se destacar como protagonista na série Crimes do Colarinho Branco (2009), fez uma participação no apelativo Magic Mike (2012) e até foi cogitado para interpretar o fogoso Christian Grey de Cinquenta Tons de Cinza, que ainda vai estrear.

Voltando para The Normal Heart, fiquei muito satisfeito com a atuação de Matt. A coisa foi tão intensa, que ele chegou a perder 18 kg para demonstrar os danos da doença no corpo de seu personagem. Isso tudo me fez lembrar Tom Hanks no premiado Filadélfia (1993), que também interpretou um homossexual portador do vírus. Se não fossem as inconstâncias das premiações, super cogitaria Bomer para o Oscar de melhor ator coadjuvante. Quem sabe?

Agora falando de outras boas atuações, também destaco os papéis de Mark Ruffalo, Julia Roberts, Joe Mantello e Taylor Kitsch, que com toda certeza brilharam em seus respectivos personagens. Julia, que dispensa comentários, soube colocar o tom certo em sua dedicada Dr. Emma Brookner, uma médica que ficou paraplégica após ser diagnosticada com poliomelite quando criança, e que agora se dedica a tentar achar a causa dessa nova epidemia. Já Ruffalo (sempre fofo), também encontrou o tom certo para seu protagonista, sem exagerar na caricatura ou se tornar rígido demais.

Me voltando para o conjunto total da obra, achei que foi tudo feito com muito esmero, apresentando as reais dificuldades que os gays sofreram com a descoberta da AIDS. Eu não nasci naquela época, mas acredito que toda a comunidade LGBT tenha enfrentado um grande problema para trazer isso à tona e encontrar a real causa da doença. Imagina, você à mercê de uma coisa que ninguém sabe o que é, como se contagia, se tem cura ou não…Devia ser tudo muito apavorante. Por isso temos que parabenizar todos aqueles que trabalharam arduamente para que, hoje, a AIDS ou vírus HIV se tornassem ao menos algo diagnosticável e controlável. A cura ainda não existe abertamente, mas a ciência vem avançando muito nesses últimos anos e acredito que um dia o planeta terra estará livre deste mal.

O que eu não gostei muito foi que a película pecou um pouco nos clichês que a sociedade insiste em enxergar dentro da comunidade gay. Toda essa onde de festividade, sexo, drogas e Rock ‘N’ Roll não é o que eu conheço do mundo LGBT hoje em dia. Mas é aquela coisa, eu entendo do mundo em que eu vivo e não posso afirmar categoricamente que no passado a coisa não foi exatamente assim, preciso de uma opinião de quem viveu naquela época. É óbvio que existe sim bastante promiscuidade, assim como no mundo hétero, mas continuo achando que a coisa ficou um pouco forçada dentro do longa. E outra, essa história de chorar e criar elo logo na primeira transa pegou muito mal, né senhor Ryan Murphy? Isso não existe e nem nunca existiu, por favor! Ao menos tivesse colocado uma passagem de tempo maior para todo aquele amor Disney.

No mais eu destaco a excelente trilha sonora (amo a era Disco) e o intuito político inserido na trama, quando os personagens discutem sobre como a doença foi inserida dentro da comunidade gay daquela forma. É realmente muito estranho isso e com toda certeza devem existir grupos de discussões por aí falando sobre o tema, mas isso eu deixo para vocês discutirem em casa com seu parentes e amigos. Então para que fique claro, por favor vejam este filme!

Trailer:

 

 

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