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Crítica: Quando Eu Era Vivo (2014)

15 fev

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Estou muito feliz em poder falar sobre esta obra do cinema brasileiro, mesmo! Durante muito tempo, o mercado nacional parou de apostar em filmes de terror, pois aqui não são tão rentáveis e recebem pouco patrocínio das empresas, e, por isso, acabam ficando no esquecimento e normalmente são lançados em mídias alternativas, como a internet. Entretanto, de 2008 pra cá, temos visto muitos diretores ambiciosos e que apostaram alto dentro de filmes do gênero, e que ao longo de todo esse período, conseguiram reavivar a categoria que estava há muito tempo adormecida. Mesmo com longas não tão bem produzidos, chegando até a serem taxados de ridículos, como o péssimo Desaparecidos (2011), ainda sim tivemos um crescimento significativo, e, obras como Mar Negro (2013), A Encarnação do Demônio (2008), filme com o grande mestre Zé do Caixão e o longa Bellini e o Demônio (2008), fizeram com que o Brasil pudesse respirar um pouco em relação ao tema.

Foi então que em 2013 o diretor Marco Dutra conseguiu finalizar as gravações de Quando Eu Era Vivo, um longa de suspense/terror, que afasta um pouco todo um segmento de comédia que o cinema brasileiro vinha se acostumando, trazendo assim uma luz no fim do túnel.

Quando Eu Era Vivo destaca o experiente ator brasileiro Antônio Fagundes, o já velho conhecido do cinema nacional Marat Descartes e a cantora Sandy, que agora parece mesmo adentrar o mundo do cinema, confirmando o que disse anteriormente em uma entrevista à Marília Grabriela, quanto a sua predileção por filmes de terror. O longa conta a história de Júnior (Marat Descartes), que após perder o emprego e se separar de sua mulher, resolve voltar a viver na casa do pai Sênior (Antônio Fagundes), que agora aluga o seu antigo quarto para Bruna (Sandy). Ainda tentando digerir tudo o que lhe aconteceu, Junior começa a reviver as lembranças de sua mãe morta e de seu irmão que está internado numa clínica para doentes mentais. Só que em meio a tantas lembranças, algo de muito sinistro começa a acontecer com ele e o velho mistério que rondava sua infância parece querer retornar definitivamente.

Sabe, o filme está longe de ser um primor, é claro, mas o que mais me chamou a atenção nele foi a intenção de reviver ou recriar o “feelin'” para longas desse tipo aqui no Brasil. Antônio Fagundes está ótimo no papel que lhe foi designado, Marat Descartes mesmo com uma interpretação que me lembrava completamente o seu personagem em Os Inquilinos (2009), depois de um tempo, conseguiu entrar no clima. Até a Sandy não fez feio não, tudo bem, levando em consideração que não criei nenhuma expectativa em relação a atuação dela, até porque depois de Acquaria (2003) não tinha nem como, né? (rsrsrs). Mas achei quem num todo, a coisa funcionou muito bem.

O longa prende mais pela ótima trilha sonora e a sonoplastia, que dá uma grande vida a cada cena um pouco mais aterrorizante. Ele não chega a dar muitos sustos, porém Dutra trabalha muito em cima da tensão e de elementos místicos, ocultos e pagãos. Existe também algum erro de continuidade, pois chega uma hora que o expectador fica perdido em relação ao tempo de cada personagem e o que exatamente está acontecendo com ele, como o caso da personagem de Sandy, que no final da trama aparece envolvida diretamente com a cena do ritual, mas que não se sabe ao certo o que aconteceu com ela de fato, a não ser por um anel que a mesma põe em seu dedo. Lógico que dá para adivinhar, mas achei que essa parte ficou muito pobre.

De resto admiro a coragem dos idealizadores desta película, que mesmo com todos os contras, foi capaz de resgatar em mim uma certa esperança dentro do mercado brasileiro em relação a filmes de terror. Indico com certeza a todos os leitores do Foca na Pipoca. Prestigiem, pois de algum modo vai valer a pena.

Trailer:

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